Segunda votação para presidente da Itália termina sem vencedor

Os mandatários do Senado, Elisabetta Casellati, e da Câmara, Roberto Fico, no segundo dia de votação para presidente da República
Os mandatários do Senado, Elisabetta Casellati, e da Câmara, Roberto Fico, no segundo dia de votação para presidente da República (foto: ANSA)
17:08, 25 JanROMA ZLR

(ANSA) - Terminou sem vencedor a segunda votação no Parlamento da Itália para eleger o próximo presidente da República, realizada nesta terça-feira (25).

Assim como no primeiro escrutínio, os principais partidos orientaram suas bancadas a votar em branco enquanto ainda negociam para chegar a um nome de consenso, e nenhum candidato atingiu a maioria qualificada de dois terços (673 votos de um total de 1.009).

Ao todo, 976 dos 1.009 eleitores participaram da votação, que terminou com 527 cédulas em branco - menos que as 672 do primeiro escrutínio - e 38 nulas.

Os candidatos mais votados foram o próprio presidente Sergio Mattarella e o jurista Paolo Maddalena, apoiado por dissidentes do antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), ambos com 39 votos cada um.

Na última segunda-feira (24), o colégio eleitoral teve 1.008 integrantes, já que a Câmara ainda não havia empossado Rossella Sessa como substituta do deputado Vincenzo Fasano, falecido no fim de semana.

A próxima votação está prevista para esta quarta (26), e o pleito seguirá com um escrutínio por dia até que haja um vencedor. No entanto, a partir da quarta votação um candidato precisará obter apenas a maioria simples (505 votos).

O colégio eleitoral é formado por 630 deputados, 321 senadores e 58 delegados regionais.

Negociações

Apesar das intensas negociações entre os partidos, houve apenas tímidos avanços na busca por um nome de consenso para substituir Mattarella na Presidência da República.

Uma coalizão de partidos conservadores propôs uma lista com três candidatos: o jurista Carlo Nordio, 74, a vice-governadora da Lombardia, Letizia Moratti, 72, e o ex-senador Marcello Pera, 78.

No entanto, a aliança de direita precisaria do apoio de ao menos parte da centro-esquerda ou do M5S para eleger um candidato.

"Nenhum deles tem carteirinha de partido, mas exerceram cargos importantes", declarou o senador de ultradireita Matteo Salvini, secretário da Liga. "Queremos concluir rapidamente. Não vamos dizer 'não' preconceituosamente a ninguém e esperamos que os outros também negociem a partir do mérito", acrescentou.

Já o ex-premiê Enrico Letta, líder do centro-esquerdista Partido Democrático (PD), elogiou os nomes apresentados pela direita e prometeu avaliá-los "sem espírito preconceituoso", mas, horas depois, divulgou um comunicado rechaçando as indicações.

"Mesmo respeitando as legítimas escolhas da centro-direita, não acreditamos ser possível desenvolver um amplo consenso em torno desses nomes", diz a nota, que também é assinada pelo ex-premiê Giuseppe Conte e pelo ministro da Saúde, Roberto Speranza, líderes do M5S e do partido de esquerda Artigo Primeiro, respectivamente.

O próprio Nordio tentou se desassociar de sua candidatura. "Acho que a função de chefe de Estado deve ser confiada a um político, e minha cultura política é exclusivamente teórica. De qualquer maneira, se querem um jurista, existem melhores", disse.

Como as negociações ainda estão em curso, é provável que o novo presidente seja eleito apenas a partir de quinta-feira (27), quando o número de votos necessários diminui de 673 para 505.

Nesse cenário, um candidato poderia sair vencedor sem necessariamente ter o apoio de todas as principais forças no Parlamento, assim como ocorreu com Mattarella, eleito em 2015 sem os votos da direita e do M5S.

"A proposta que fazemos é de nos trancar em uma sala e jogar a chave fora. Pão e água até chegarmos a uma solução", disse Letta.

A essa altura, também diminuíram as chances do premiê Mario Draghi. O economista era um dos mais cotados para a chefia do Estado, mas a dificuldade em encontrar outro primeiro-ministro que mantenha de pé o governo de união nacional até o fim da legislatura, em 2023, atrapalhou seu caminho à Presidência.

Outros ainda cotados são a ministra da Justiça, Marta Cartabia, o senador de centro Pier Ferdinando Casini e o próprio Mattarella, que, no entanto, não quer saber de reeleição e já iniciou até sua mudança do Palácio do Quirinale.

Apesar de ter um papel mais institucional do que político, o presidente da Itália está longe de ser uma figura meramente cerimonial e tem poder para influenciar os rumos do país, nomeando premiês, barrando indicações de ministros e até cobrando a aprovação de leis do interesse da nação. (ANSA)

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