Draghi admite frustração por UE 'financiar' guerra na Ucrânia

Bloco ainda depende da Rússia para obter gás natural

Mario Draghi concede coletiva de imprensa após reunião de líderes europeus em Bruxelas
Mario Draghi concede coletiva de imprensa após reunião de líderes europeus em Bruxelas (foto: EPA)
10:43, 01 JunBRUXELAS ZLR

(ANSA) - O primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, admitiu nesta terça-feira (31) sua frustração pelo fato de a dependência energética da Europa em relação à Rússia ajudar a financiar a guerra contra a Ucrânia.

Após reunião do Conselho Europeu em Bruxelas, o premiê disse que essa situação é "frustrante" e causa "grande embaraço". "Mas não dá para ser de outro jeito", acrescentou Draghi, após ter sido questionado por jornalistas se a União Europeia está ciente de que, comprando gás natural russo, está "financiando" a guerra.

A Itália já fechou acordos de importação com Angola, Argélia e República do Congo para reduzir sua dependência do gás natural russo, mas o premiê acredita que o país só se tornará independente de Moscou para satisfazer sua demanda energética no segundo semestre de 2024.

A ENI, principal empresa italiana de óleo e gás, já abriu duas contas no banco da estatal russa Gazprom, uma em euro e outra em rublo, mas garantiu que continuará pagando pela commodity em moeda europeia e que a conversão será feita pela instituição financeira.

Durante a reunião do Conselho Europeu, os líderes aprovaram um documento que abre a possibilidade de se introduzir um teto temporário ao preço do gás na UE, medida que há várias semanas é pedida pela Itália.

"Sobre o funcionamento do mercado de energia e os preços altos, nos contentamos [com o que foi aprovado]. A Comissão Europeia [poder Executivo do bloco] recebeu um mandato oficial para estudar a viabilidade de um teto", afirmou Draghi. (ANSA)

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