Ambulante nigeriano é assassinado na Itália e gera revolta

Homem foi agredido por 4 minutos, mas ninguém ajudou

Alika Ogorchukwu foi assassinado à luz do dia (foto: ANSA)
11:42, 30 JulANCONA ZGT

(ANSA) - O assassinato do ambulante nigeriano Alika Ogorchukwu, 39 anos, ocorrido nessa sexta-feira (29) em Civitanova Marche, na região de Marcas, está gerando revolta tanto na comunidade nigeriana no país como entre políticos das mais diferentes vertentes.

Isso porque Ogorchukwu foi espancado pelo italiano Filippo Claudio Giuseppe Ferlazzo, 32, por cerca de quatro minutos em plena luz do dia e ninguém se dispôs a ajudar o homem. Pelo contrário, diversas foram as pessoas que ficaram apenas filmando o espancamento.

Ferlazzo foi preso em flagrante por policiais e responderá por homicídio e roubo e as imagens das câmeras de segurança no local irão ajudar a entender a dinâmica dos fatos, segundo as autoridades policiais locais. Não está descartado que o caso possa ter um fundo de xenofobia e racismo, mas as motivações ainda não estão claras.

Neste sábado (30), centenas de membros da comunidade nigeriana se reuniram no centro de Civitanova para protestar contra a indiferença e para cobrar justiça.

"A região de Marcas vai se constituir como parte civil no processo que está sendo aberto para defender a identidade, os valores e as imagens que os cidadãos têm. Sempre fomos uma comunidade solidária, inclusiva e queremos permanecer assim com o apoio de todos. Com a dor e a profunda lamentação para a família de Alika, é necessário ainda reforçar a firme condenação de um gesto de loucura e violência pura, que não tem nenhuma justificativa", afirmou o governador de Marcas, Francesco Acquaroli, do partido de extrema-direita Irmãos da Itália (FdI).

Uma das principais vozes contra a chegada de migrantes nos últimos anos, o líder do partido Liga, Matteo Salvini, condenou o ataque. "É loucura morrer assim e espero que seja aplicada a maior pena possível", disse o político ultranacionalista, que afirmou ainda "rezar" pelos familiares.

O ministro da Saúde, Roberto Speranza, também se manifestou e disse estar "estarrecido" com o fato de ninguém ter ajudado o nigeriano. "A indiferença é tão grave e injustificável quanto a violência", disse o político.

Já a deputada da sigla de centro-esquerda Partido Democrático (PD) e presidente do Comitê da Câmara dos Deputados sobre os Direitos Humanos no Mundo, Laura Boldrini, falou sobre a "brutal violência" do crime.

"Em Civitanova Marche um homem foi assassinado na rua com brutal violência enquanto testemunhas filmavam a cena. Tem razão Dom Albanesi: o racismo, a indiferença e a raiva acham uma saída contra os mais fracos: é a pior face da sociedade, a da discriminação e da opressão", afirmou. (ANSA).
   

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