Itália envia para UE dossiê contra 'Prosecco' croata

Italianos tentam impedir que bebida receba selo de origem

Italianos defendem que reconhecimento ao Prosek iria prejudicar o Prosecco
Italianos defendem que reconhecimento ao Prosek iria prejudicar o Prosecco (foto: ANSA)
12:28, 10 NovROMA ZGT

(ANSA) - O Ministério das Políticas Agrícolas e Florestais da Itália (Mipaaf) informou que entregou um dossiê com 14 páginas para a Comissão Europeia com a oposição do país ao reconhecimento do Prosek, um espumante croata que é "similar" ao famoso Prosecco.

Em setembro, os eurodeputados italianos foram informados que a bebida receberia o selo de indicação geográfica protegida (IGP) e se irritaram com o fato. Após protestos veementes de diversos órgãos estatais, a União Europeia informou que iria abrir consultas sobre o caso. Agora, os croatas terão 60 dias para contrapor os pontos apresentados pelos italianos.

Segundo o ministro das Políticas Agrícolas, Stefano Patuanelli, o dossiê contém todas as motivações técnicas pelas quais acredita-se que não deve ser dada nenhuma menção histórica para o vinho croata.

"O temor não é a periculosidade do fato em si porque a produção italiana não pode ser ultrapassada, mas é que ninguém nos garante que as regras não serão modificadas. Ou a UE é capaz de tutelar os DOPs [denominação de origem protegida] e os IGPs, ou o sistema de denominação corre o risco de sumir", disse Patuanelli em coletiva de imprensa.

Quem também se manifestou foi o ministro para as Relações com o Parlamento, Federico D'Incà, que ressaltou que houve uma "união compacta institucional" entre os órgãos do governo e organizações produtoras e que "é nossa obrigação proteger as excelências" produzidas na Itália.

Também presente na coletiva, o presidente da principal associação dos agricultores do país, a Confederação Nacional dos Cultivadores Diretos (Coldiretti), Ettore Prandini, afirmou que o documento quer "parar rapidamente uma decisão escandalosa que atinge o vinho italiano mais vendido no mundo".

"Trata-se de um precedente perigoso que pode enfraquecer a mesma UE nas relações internacionais e sobre as negociações dos acordos comerciais onde precisa proteger a denominação 'prosecco' de produtos falsos", acrescentou Prandini.

Segundo os dados apresentados pela Coldiretti, o Prosecco representa quase uma garrafa a cada seis vinhos italianos vendidos fora da Itália e as vendas nos sete primeiros meses de 2021 subiram 32% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Os três italianos ainda ressaltaram que a decisão de dar qualquer tipo de reconhecimento ao Prosek fere uma recente decisão da Justiça Europeia que considera "ilegítimo" que produtos usem nomes próprios similares aos "originais", sendo uma fraude que pode levar o consumidor ao engano.

A decisão, à época, vetou o reconhecimento ao champanillo espanhol por ser muito semelhante ao Champagne francês.

A Croácia já havia pedido um selo de reconhecimento de origem do Prosek em 2013, mas a medida fracassou. Zagreb, então, entrou com um novo pedido para o reconhecimento com "menção à tradição" da bebida.

O Prosek é um vinho de sobremesa que provém da zona meridional da Dalmácia. Já o Prosecco, que é produzido há centenas de anos, teve seu selo de Designação de Origem Controlada (DOC) garantido em 2009. (ANSA).
   

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA