Charge de Maomé irrita autoridades egípcias

Para Valls, a França não perdeu sua 'luz' com os atentados

Chargistas apresentam a edição de amanhã do Charlie Hebdo (foto: EPA)
20:28, 13 JanPARIS ZGT

(ANSA) - Uma publicação que fica entre a sátira e a comoção. É assim que os chargistas do Charlie Hebdo pensaram a capa da edição que circulará nesta quarta-feira (14), com tiragem especial de mais de três milhões de exemplares. Porém, a capa com a imagem de Maomé promete causar novas polêmicas entre os muçulmanos.

 

Isso porque a religião proíbe que o Profeta seja estampado em imagens ou fotos. A autoridade egípcia que emite publicações religiosas islâmicas, a "Dar el Iftaa", já expressou sua reprovação sobre a nova edição do jornal. Segundo eles, essa "é uma provocação não justificável dos sentimentos de 1,5 bilhão de muçulmanos no mundo".

 

Mas, os desenhistas se defendem. Para Luz, autor da caricatura, "o nosso Maomé é simpático. É o meu personagem, que existe no meu lápis e existe quando desenho". Ao falar sobre a escolha, o chargista não conseguiu segurar as lágrimas e afirmou que desenhou um "Maomé que chora porque eu também estou chorando".

 

Discurso de Valls no Parlamento

 

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, discursou em uma sessão especial do Parlamento em memória das vítimas dos atentados da última semana e disse que a sociedade francesa não será derrotada pelos terroristas.

 

"Quiseram abater a mensagem da França, a sua luz. Mas, a França está sempre aqui e estará presente para sempre", destacou o premier afirmando que todo o país se sentiu afetado pelos ataques.

 

Ressaltando que os franceses não estão em guerra contra o Islã, Valls endureceu o tom dizendo que a nação está lutando contra "o terrorismo, o integralismo, o islamismo radical" e que "irá proteger, como sempre fez, todos os seus cidadãos - tanto aqueles que acreditam em um deus como quem não acredita".

 

Segundo o líder político, uma das urgências de seu governo é também "proteger nossos compatriotas muçulmanos". Ele ainda destacou que o mais importante para a nação é "ser laica" porque isso é o "coração" da República.

 

Ao apresentar dados da Inteligência francesa, o premier afirmou que passa de 1,2 mil o número de cidadãos que estão lutando com terroristas só "no Iraque e na Síria".

 

Armas

 

Um funcionário da polícia francesa afirmou que as armas usadas pelos terroristas nos ataques chegaram do exterior. Por isso, as autoridades estão investigando quem poderia ter financiado a chegada desse equipamento ao país. (ANSA)

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