‘Eu nunca vou decepcionar vocês’, promete Trump ao tomar posse

Republicano assumiu hoje como 45º presidente dos EUA

Donald e Melania Trump durante parada em Washington (foto: EPA)
21:04, 20 JanWASHINGTON ZGT

(ANSA) - Aos 70 anos de idade, o magnata Donald Trump tomou posse hoje (20) como o 45º presidente dos Estados Unidos. Em um discurso de união e protecionismo, o republicano prometeu “reconstruir o país”, “devolvendo o poder ao povo”, e disse que “nunca decepcionará” os cidadãos do país.

“Juntos vamos determinar o destino, o caminho, dos EUA e do mundo em muito anos à frente. Vamos enfrentar desafios, teremos dificuldades, mas vamos fazer o que temos que fazer”, prometeu Trump, que venceu as eleições de novembro de 2016 contra a democrata Hillary Clinton. Logo no início de seu discurso, ocorrido no Capitólio, em Washington D.C., Trump agradeceu ao seu antecessor, Barack Obama, que encerra oito anos de mandato com uma aprovação recorde de 60%.

“Somos gratos ao presidente Obama e à primeira-dama Michelle Obama no processo de transição. Eles foram magníficos”, admitiu o republicano, antes de começar a criticar as gestões anteriores. “A cerimônia de hoje, no entanto, tem um significado muito especial. Não estamos transferindo um poder de uma administração para outra, ou de um partido para outro, estamos devolvendo o poder para vocês, o povo”, afirmou. Segundo Trump, nos últimos anos, os políticos norte-americanos “receberam os louros do governo, mas o povo não compartilhava de suas riquezas”.

“Os políticos prosperaram, mas o povo não. As vitórias deles não foram de vocês. Embora eles tenham celebrado na capital do nosso país, havia pouco a celebrar pelas famílias que lutavam em nossa terra, em nosso país. Tudo isso muda a partir de agora. Esse momento é de vocês e pertence a vocês. Os Estados Unidos da América são o seu país”, exaltou o magnata.

“O que realmente importa não é que partido controla o governo, mas se o governo é controlado pelo povo. O dia 20 de janeiro de 2017 será lembrado como o dia em que o povo se tornou outra vez o governante do país. Homens e mulheres esquecidos do nosso país não serão mais esquecidos. Todos agora ouvirão vocês”, prometeu.

“Os Estados Unidos vão começar a vencer de novo. Vamos trazer de volta nossos empregos, nossas riquezas e os nossos sonhos. Vamos construir novas estradas, aeroportos, túneis e linhas férreas por todo nosso país. Vamos tirar nosso povo do seguro-desemprego e comprar produtos americanos”. Apesar de ser criticado durante as campanhas eleitorais por seu discurso agressivo, nacionalista e populista, Trump manteve sua postura e prometeu que defenderá a sociedade e os interesses norte-americanos acima de qualquer coisa, em todos os segmentos, principalmente econômicos e comerciais. “Vamos buscar a amizade e boa vontade com outros países do mundo, mas vamos preservar nossos interesses. Não é errado um povo defender seus interesses”, disse o republicano. “A proteção vai nos fazer forte. Eu vou lutar por vocês e jamais vou desapontar vocês. Os Estados Unidos vão voltar a vencer de novo, como nunca antes”, afirmou.

“Somos uma nação. Seus sonhos são nossos sonhos. Seu sucesso será nosso sucesso. Compartilhamos um lar, um país. E os votos que fiz hoje são para vocês, norte-americanos", acrescentou."Nós defendemos fronteiras de outras nações e nos recusamos a defender as nossas próprias. Gastamos trilhões em outros países, enquanto nossa indústria entrava em decadência. Ajudávamos os outros, enquanto nosso país se desfazia no horizonte", criticou o magnata, referindo-se às gestões passadas.

De acordo com a imprensa norte-americana, Trump teria se inspirado – e estudado- discursos dos ex-presidentes norte-americanos Ronald Reagan, John F. Kennedy e Richard Nixon para sua cerimônia de posse.

Fontes relataram que os dicursos que mais foram analisados por Trump se referem aos de Nixon, em 1969, já que o republicano considerada parecidas as circunstâncias de hoje com as conjunturas políticas daquela época.

Nixon venceu as eleições presidenciais com um baixo percentual de votos (43%, enquanto Trump conquistou 46%) e assumiu um país marcado por tensões raciais e pelos efeitos da guerra do Vietnã.

Ao tomar posse, Nixon pediu união entre os norte-americanos. O republicano foi o 37º presidente dos EUA, governou entre 1969 e 1974, foi o único a renunciar ao cargo, e o fez devido ao escândalo de Watergate, pouco antes do Congresso votar seu impeachment.

Cerimônia de posse


A cerimônia de posse de Trump, no Capitólio, estava prevista para começar às 14h no horário de Brasília, mas sofreu 20 minutos de atraso. Antes, Trump e sua esposa, Melania, tomaram um chá com Michelle e Barack Obama.

Seguindo a tradição, o democrata também deixou uma carta no Salão Oval para seu sucessor, como "rito de passagem". O casal Bill Clinton e Hillary, derrotada por Trump nas eleições, também compareceu à posse. "Estou aqui pela democracia", disse Hillary.

Protestos

Momentos de tensão foram registrados durante a noite de ontem e madrugada de hoje em frente ao National Press Club de Washington, onde Trump participava de um concerto musical.

Um grupo de manifestantes contra o futuro mandatário começou uma briga com defensores de Trump e uma pessoa ficou ferida. A polícia interveio na situação e conseguiu acalmar os ânimos.

Já poucas horas antes da posse de Trump, ao menos duas pessoas foram presas em protestos em Washington. Diversos grupos pró e contra o magnata estão protestando na capital norte-americana.

Campanha e eleições

Após uma polêmica e conturbada campanha eleitoral contra Hillary Clinton, Trump sagrou-se vencedor com os votos do chamado Colégio Eleitoral, que definem o novo presidente. Na questão dos votos populares, foi a democrata quem venceu, com 2,8 milhões de votos a mais.

A partir de hoje, no entanto, o "comandante em chefe" norte-americano assumirá a maior potência econômica e militar mundial com a promessa de mudar o país. Desde que começou sua campanha e iniciou a montagem de seu governo, Trump anunciou que tentará "acabar" com o legado de Barack Obama, especialmente no que tange à questão da saúde e das relações internacionais.

No primeiro campo, o magnata anunciou que acabará com o chamado "Obamacare", o projeto de saúde implantado por Obama e que levou 20 milhões de pessoas a terem plano de saúde no país, e que "implantará" outro plano "ainda melhor".

No segundo, Trump promete uma aproximação à rival histórica Rússia - que foi acusada de ajudar o republicano a se eleger por órgãos norte-americanos - e a fazer revisão do descongelamento das relações diplomáticas com Cuba. Trump ainda promete uma linha dura contra os imigrantes, especialmente mexicanos e muçulmanos, e jura que levará adiante o projeto de construir um muro na fronteira com o México.

Primeiros atos

Ainda na sede do Congresso, Trump assinou seus primeiros documentos como presidente dos Estados Unidos, entre eles um que proclama o dia nacional do patriotismo e outro necessário para James Mattis assumir o Departamento de Defesa. O nome do secretário foi o primeiro do gabinete do republicano a ser confirmado pelo Senado. (ANSA)

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