Trump usa discurso para defender muro e criticar inquéritos

Presidente falou ao Congresso durante 82 minutos

Donald Trump discursa à frente da presidente da Câmara, Nancy Pelosi
Donald Trump discursa à frente da presidente da Câmara, Nancy Pelosi (foto: EPA)
08:20, 06 FevWASHINGTON ZLR

(ANSA) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou seu aguardado discurso sobre o Estado da União, na noite desta terça-feira (5), para defender a construção do muro na fronteira com o México e criticar as investigações contra aliados no âmbito do "caso Rússia".

Falando em sessão conjunta do Congresso por 82 minutos, o republicano listou os principais resultados de seu governo e também apresentou suas metas para os próximos anos, como a erradicação da transmissão do vírus HIV e a retirada das tropas americanas da Síria e do Afeganistão.

"O muro com o México será construído", reiterou Trump, abordando o tema que paralisou o governo por mais de um mês devido à sua recusa em sancionar qualquer orçamento que não previsse US$ 5,7 bilhões para a obra. O financiamento da administração federal acabará em 15 de fevereiro, e o presidente terá de voltar a negociar com o Congresso para evitar um novo shutdown.

"Será um muro de aço inteligente, estratégico e que permite ver do outro lado, não apenas um muro de cimento", acrescentou. Segundo Trump, o país está perante uma "emergência nacional, com caravanas de pessoas" rumo à fronteira. "Uma terrível onda está a caminho", disse, levantando risadas irônicas dos democratas.

Rússia

Com diversos aliados investigados por suspeita de conluio com a Rússia nas eleições de 2016, Trump disse que é hora de acabar com "guerras estúpidas e inquéritos ridículos". "Apenas essas coisas podem parar a força da economia americana", declarou, já se antecipando à desaceleração prevista por analistas.

"Devemos estar unidos em casa para derrotar os inimigos no exterior", salientou, acrescentando que o país possui um "potencial ilimitado" e que ele deseja "trabalhar com o novo Congresso", no qual a Câmara é dominada pela oposição democrata.

"Podemos escolher entre a grandeza e o impasse político, entre resultado ou resistência, visão de futuro ou vingança, progresso incrível ou destruição sem sentido. Nesta noite, peço que vocês escolham a grandeza", disse.

Política externa

Em seu discurso, Trump defendeu o projeto de retirar as tropas americanas do Afeganistão e da Síria, alegando que "os grandes países não devem mais combater em guerras sem fim".

Washington está em negociações com o grupo fundamentalista islâmico Talibã para um acordo de paz. Por outro lado, prometeu manter a linha dura com o Irã. "Não tirarei o olhar de um regime que canta 'morte à América' e ameaça com o genocídio do povo judeu", declarou.

Também esperava-se que o presidente desse destaque à crise na Venezuela, mas o país foi mencionado apenas de passagem em seu discurso, para dizer que os EUA "nunca serão um estado socialista".

Mulheres

Um dos raros momentos de apoio bipartidário ocorreu quando Trump elogiou a crescente presença feminina na política e no mercado de trabalho, parabenizando especialmente as mulheres eleitas em novembro passado.

Até mesmo a presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, aplaudiu calorosamente esse trecho do discurso. Muitas congressistas vestiam branco para protestar pelos direitos das mulheres. Trump ainda pediu para democratas e republicanos se unirem para erradicar a transmissão do vírus da Aids em 10 anos. "Juntos, o derrotaremos na América e em qualquer lugar", garantiu. (ANSA)

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