Reuniões entre UE e Londres acabam sem perspectivas de acordo

Negociadores para o pós-Brexit se reunirão novamente em agosto

Barnier e Frost não chegaram a um entendimento em mais uma série de reuniões sobre o Brexit
Barnier e Frost não chegaram a um entendimento em mais uma série de reuniões sobre o Brexit (foto: EPA)
11:51, 23 JulLONDRES ZGT

(ANSA) - Após mais uma rodada de debates sobre o pós-Brexit, o negociador-chefe da União Europeia, Michel Barnier, e o seu homólogo britânico, David Frost, informaram nesta quinta-feira (23) que é "pouco provável" que um acordo seja firmado entre as partes ainda neste mês.

Segundo Barnier, a falta de acordo é causada pelas dificuldades impostas pelas "posições inaceitáveis" do Reino Unido sobre a questão da pesca e sobre sua "rejeição" no compromisso para garantir o alinhamento às normas (o chamado "level playing field"), que a União Europeia quer firmar para garantir que a concorrência seja realizada de maneira leal e justa.

No entanto, o negociador europeu afirma que as conversas desta semana "foram intensificadas" e espera que elas deem resultados - mas que há sim "um risco real de não fecharmos um acordo".

"Eles fixaram três linhas vermelhas. A número um foi não ter nenhum papel da Corte de Justiça Europeia no Reino Unido; a número dois, o direito de estabelecer leis britânicas futuras sem restrições europeias; número três, um acordo sobre a pesca tal que evidencie uma diferença no respeito à situação existente", pontuou Barnier, destacando que elas não são impossíveis de serem "enquadradas" desde que haja disponibilidade.

Para ele, a equipe de negociadores europeus se esforçou "sinceramente" para enfrentar essas questões, mas "não encontrou o mesmo nível de disponibilidade nessas semanas [de Londres] para encontrar soluções respeitosas aos princípios e aos interesses da UE".

Por sua vez, Frost publicou uma nota oficial em que também afirma que "não haverá acordo até o fim do mês de julho", como o premier Boris Johnson havia anunciado, mas que acredita que possa haver um entendimento "para setembro".

O britânico ainda disse que serão realizados novos encontros entre as partes a partir de 17 de agosto, sem dar muitos detalhes, para tentar diminuir a "distância" em algumas questões importantes.

"Infelizmente, já está claro que um entendimento preliminar sobre os princípios de qualquer acordo não será atingido até o fim de julho", disse Frost, ressaltando que apesar de alguns avanços por conta da "intensificação de esforços", os resultados foram apenas parciais.

Frost destacou que um acordo, seja qual for, "precisa reconhecer necessariamente" o Reino Unido pós-Brexit como um "país economicamente e politicamente independente", condição que a UE não aceita na visão de Londres.

De acordo com o negociador britânico, Barnier e sua equipe "nos escutaram sobre algumas das questões mais importantes para nós", mostrando uma particular "aproximação mais pragmática" em temas como "o papel da Corte de Justiça Europeia". E os britânicos comandados por ele "responderam da mesma forma às preocupações" dos 27 Estados-membros sobre a questão da concorrência desleal.

No entanto, Frost também reconheceu que as "divergências consideráveis permanecem nas áreas mais complexas", como na questão da pesca e "no chamado level playing field". Para Londres, a rejeição a este último é total porque classifica a ação "como um atentado à independência" do país.

"A respeito das dificuldades, no meu ver, um acordo ainda é possível em setembro tendo como base o trabalho feito em julho. Devemos continuar a negociar com esse objetivo em mente", finalizou Frost.

Apesar de politicamente já estar fora da União Europeia desde o início deste ano, os negociadores agora debatem o chamado "Brexit econômico", que entrará em vigor em janeiro de 2021. (ANSA)

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