Guarda Costeira da Líbia matou 3 migrantes, acusa OIM

Episódio teria ocorrido em desembarque após socorro no mar

Migrantes resgatados pela Guarda Costeira da Líbia, em foto de arquivo
Migrantes resgatados pela Guarda Costeira da Líbia, em foto de arquivo (foto: ANSA)
11:14, 28 JulROMA ZLR

(ANSA) - Três sudaneses foram assassinados e outros cinco ficaram feridos durante uma operação de desembarque em Al-Khums, na Líbia, na madrugada desta terça-feira (28), denunciou a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Os deslocados internacionais tentavam cruzar o Mediterrâneo rumo à Europa, mas foram interceptados pela Guarda Costeira do país africano e levados para terra firme. No entanto, segundo a OIM, os oficiais líbios "começaram a disparar" quando "alguns migrantes tentaram fugir".

Dois deles morreram na hora, enquanto o terceiro faleceu no hospital algumas horas depois. Já os sobreviventes foram levados em centros de detenção. "Mais uma vez, o uso de violência excessiva causou mortes sem sentido, em um contexto caracterizado por uma falta de iniciativas para mudar um sistema que frequentemente não é capaz de garantir qualquer tipo de proteção", disse o chefe da missão da OIM na Líbia, Federico Soda.

A Guarda Costeira do país africano é treinada, equipada e financiada pela Itália, em um controverso acordo assinado em 2017, na gestão do então primeiro-ministro social-democrata Paolo Gentiloni, e que levou a uma drástica redução no número de migrantes e refugiados que atravessam o Mediterrâneo.

Essa Guarda Costeira é formada pelas mesmas milícias que dão sustentação ao primeiro-ministro Fayez al-Sarraj, cujo "governo de união nacional" controla apenas a porção ocidental do país, incluindo a capital Trípoli.

A corporação é acusada por ONGs e agências internacionais de violar os direitos humanos de migrantes e refugiados e de prendê-los em "campos de concentração" na Líbia. Há duas semanas, o Parlamento da Itália aprovou um novo financiamento para a Guarda Costeira do país africano.

"É necessário implantar um sistema alternativo que permita que as pessoas socorridas ou interceptadas no mar sejam levadas para portos seguros", disse o chefe da missão da OIM. Ao equipar a Guarda Costeira da Líbia para realizar resgates no Mediterrâneo, a Itália faz com que as pessoas socorridas voltem para o país africano, que não existe hoje enquanto Estado unificado.

Por conta disso, ONGs costumam deslocar navios para monitorar a costa da Líbia em busca de migrantes e refugiados correndo riscos em barcos superlotados para levá-los a portos seguros. (ANSA)  

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