Tropas de Haftar rejeitam cessar-fogo na Líbia

Acordo para trégua foi anunciado na última sexta-feira

Khalifa Haftar lidera conjunto de milícias que controla a maior parte da Líbia
Khalifa Haftar lidera conjunto de milícias que controla a maior parte da Líbia (foto: ANSA)
14:20, 24 AgoTÚNIS ZLR

(ANSA) - As forças do marechal Khalifa Haftar, que tenta reunificar a Líbia sob seu comando, rejeitaram neste domingo (23) um cessar-fogo anunciado na última sexta-feira (21) pelo governo do primeiro-ministro Fayez al-Sarraj, reconhecido pelas Nações Unidas (ONU).

Segundo Ahmed al-Mismari, porta-voz do autodeclarado Exército Nacional Líbio (ENL), chefiado por Haftar, a trégua divulgada pelo governo é "marketing político". O próprio marechal ainda não se pronunciou pessoalmente sobre o cessar-fogo.

O acordo envolve o governo Sarraj, sediado em Trípoli, e o Parlamento de Tobruk, que não reconhece o gabinete de união nacional, e prevê convocação de eleições para março de 2021. No entanto, segundo o porta-voz do ENL, a Turquia, aliada de Sarraj, está se preparando para atacar Sirte e Jufra, áreas sob poder de Haftar.

"Nossas forças armadas estão prontas a enfrentar o inimigo", acrescentou. O Exército Nacional Líbio é um conjunto de milícias comandado pelo marechal e que controla a maior parte do país. Há cerca de um ano e meio, o ENL lançou uma ofensiva para conquistar Trípoli, mas não conseguiu avançar sobre a capital.

Entenda a crise

A Líbia se fragmentou politicamente após a queda de Muammar Kadafi, em 2011, e desde então é palco de conflitos entre milícias.

De um lado, está o governo de união nacional guiado por Sarraj e apoiado pelos grupos armados de Trípoli e Misurata e pela ONU; do outro, o Parlamento de Tobruk, fiel a Haftar, que tem apoio declarado do Egito e dos Emirados Árabes Unidos, além da aliança tácita com a Rússia.

O marechal e o Parlamento de Tobruk não reconhecem a legitimidade do governo Sarraj - instituído por uma conferência de paz no Marrocos, em 2015 - e controlam a maior parte do país, principalmente o leste e o desértico sul.

Ex-aliado de Kadafi, Haftar ajudou o coronel a derrubar o rei Idris, em 1969, mas rompeu com o ditador em 1987, após ter sido capturado no Chade. De lá, guiou, com o apoio da CIA, um fracassado golpe contra Kadafi. Por duas décadas, viveu como exilado nos Estados Unidos e ganhou cidadania americana. (ANSA)

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