Debate caótico e agressivo acirra corrida presidencial nos EUA

Trump e Biden trocaram insultos em encontro na TV

Donald Trump e Joe Biden em debate em Cleveland, Ohio
Donald Trump e Joe Biden em debate em Cleveland, Ohio (foto: EPA)
08:27, 30 SetWASHINGTON ZLR

(ANSA) - Os Estados Unidos presenciaram na noite desta terça-feira (29) um dos debates presidenciais mais caóticos de sua história, acirrando o clima da campanha a pouco mais de um mês da eleição de 3 de novembro.

Em um cenário de país dividido e com poucos eleitores indecisos, Donald Trump e Joe Biden trocaram insultos e proporcionaram farto material para suas campanhas, porém não discutiram a fundo os temas que afetam diretamente a vida dos americanos.

Os 90 minutos do debate ficaram marcados pelo festival de interrupções de Trump, que chegou a ser advertido diversas vezes pelo moderador Chris Wallace, da Fox News, mas manteve a postura até o fim.

"Você pode calar a boca, cara?", disse Biden em determinado momento. "É difícil dizer qualquer coisa com esse palhaço", falou pouco depois. Durante o debate, o candidato democrata ainda chamou Trump de "mentiroso" e "cachorrinho de Putin", enquanto o republicano afirmou que seu adversário não é "inteligente".

Além disso, o atual presidente se recusou a condenar supremacistas brancos pela violência racial nos EUA e voltou a insinuar a existência de supostas fraudes no voto pelo correio nas eleições.

"Proud Boys [grupo neofascista nos EUA], recuem e fiquem na sua. Mas vou te dizer uma coisa, alguém precisa fazer alguma coisa sobre os antifas [antifascistas] e a esquerda", afirmou Trump, recusando-se a condenar explicitamente os movimentos de supremacia branca.

O presidente também instou seus eleitores a prestarem "bastante atenção" em possíveis fraudes na eleição.

Pandemia

Trump ainda defendeu sua gestão da pandemia do novo coronavírus nos EUA, país que já soma 7,2 milhões de casos (21% do total global) e 206 mil mortes (20%) causadas pelo Sars-CoV-2.

Segundo o presidente, seu governo fez um trabalho "fenomenal" e salvou "milhões de pessoas". Já Biden o chamou de "irresponsável" por promover comícios com milhares de apoiadores e não apoiar o distanciamento social e o uso de máscaras.

"Você não tem um plano e faz de tudo para reabrir o quanto antes, mas sem condições de segurança", acrescentou. Trump, por sua vez, afirmou que o democrata quer "destruir o país" com um lockdown.

Impostos

Trump também foi questionado pelo moderador sobre a revelação do jornal The New York Times de que ele teria pagado apenas US$ 750 em imposto de renda federal em 2016 e 2017, mas desconversou sobre a acusação e não se comprometeu a divulgar suas declarações fiscais, como fazem todos os presidentes desde a década de 1970.

"Paguei milhões de dólares em impostos", afirmou o republicano genericamente. "Os bilionários como Trump estão indo bem, enquanto o povo perde o trabalho com a pandemia e sofre a pior depressão econômica da história", rebateu Biden.

Brasil

Sobrou espaço inclusive para o Brasil no acalorado debate presidencial desta terça-feira. Durante uma discussão sobre meio ambiente, Biden disse que a Amazônia está sendo "derrubada" - o presidente Jair Bolsonaro é um fiel aliado de Trump.

"Aquela floresta absorve mais carbono do que tudo o que é emitido pelos Estados Unidos. Eu reuniria vários países do mundo para juntar US$ 20 bilhões e dizer: 'Aqui estão US$ 20 bilhões, pare de desmatar a floresta, e se você não o fizer, sofrerá consequências econômicas significativas'", declarou o democrata.

Biden também se comprometeu a voltar para o Acordo de Paris sobre o clima, do qual Trump retirou os EUA, e zerar as emissões de carbono na produção de energia até 2035. (ANSA)

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