UE anuncia sanções contra Belarus, mas não inclui presidente

Minsk respondeu às medidas e também puniu bloco europeu

Anúncio foi feito durante reunião de líderes da União Europeia
Anúncio foi feito durante reunião de líderes da União Europeia (foto: EPA)
15:02, 02 OutBRUXELAS ZGT

(ANSA) - O Conselho Europeu aprovou nesta sexta-feira (2) uma série de sanções contra o governo de Belarus, mas não incluiu o presidente do país, Aleksandr Lukashenko, entre os 40 alvos da lista. O nome dos afetados será publicado ainda hoje em edição extraordinária do Diário Oficial da União Europeia.

"A partir de amanhã iniciaremos as sanções contra cerca de 40 expoentes do regime de Belarus, com notificação por escrito", disse o presidente do Conselho, Charles Michel, ao fim do primeiro dia da reunião dos líderes europeus.

Michel confirmou que, apesar de Lukashenko não estar entre os punidos, "continuaremos a monitorar a situação". As medidas afetam questões relacionadas às viagens para países do bloco, liberação de vistos e congelamento de bens e investimentos.

Após a confirmação da notícia, o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, afirmou que a União Europeia "expressou uma posição firme sobre Belarus" e que todos "querem que as autoridades governativas tomem ciência de que as eleições não foram críveis, satisfatórias e que não responderam aos padrões democráticos, bem como pretendemos que sejam respeitados os direitos de quem protesta de maneira pacífica".

"Estamos disponíveis para trabalhar em um plano de apoio europeu para ajudar a economia bielorrussa, mas precisamos que as autoridades tomem consciência da situação e nos deem sinais claros e concretos", concluiu Conte.

Após o anúncio europeu, o governo de Minsk respondeu a medida e anunciou sanções contra pessoas ligadas ao bloco.

"Dadas as restrições nos vistos impostas pela União Europeia a alguns funcionários bielorrussos, hoje entrará em vigor uma lista de sanções em resposta da parte bielorrussa. Coerentemente com a praxe diplomática civil, não publicaremos essa lista", informou o Ministério das Relações Exteriores à agência de notícias russa Interfax.

Desde que as eleições de 9 de agosto foram realizadas, a União Europeia vem criticando o pleito por considerar que a disputa "não foi livre, nem justa", tendo os resultados "fraudados". Os europeus ainda criticam a repressão do governo contra as manifestações diárias no país dos cidadãos que pedem por novas eleições.

Lukashenko foi reeleito para seu quinto mandato à frente do governo, cargo que ocupa desde 1994, e é considerado o "último ditador da Europa". Nas eleições de agosto, ele teria vencido com mais de 80% dos votos, o que reforça ainda mais a tese de fraude já que, o que se vê nas ruas nos últimos dois meses, são só protestos contra o mandatário.

Por sua vez, Minsk tem um forte aliado para a manutenção de poder: a Rússia de Vladimir Putin está fornecendo tanto ajuda militar como financeira - como no caso do empréstimo de US$ 1,5 bilhão. (ANSA).
   

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