UE confirma sanções contra 6 russos por envenenamento de Navalny

Kremlin chamou atitude de 'hostil e ilógica' e promete resposta

Entre os punidos, está um dos aliados mais próximos de Putin, Sergei Kirienko
Entre os punidos, está um dos aliados mais próximos de Putin, Sergei Kirienko (foto: EPA)
08:57, 15 OutBRUXELAS ZGT

(ANSA) - A União Europeia adotou sanções econômicas contra seis russos e uma organização do país "envolvidos na tentativa de assassinato" do opositor Alexei Navalny, confirmou um dos porta-vozes da Comissão Europeia nesta quinta-feira (15).

Os punidos são pessoas com ligação "estreita" com o presidente russo, Vladimir Putin. Entre eles, estão o chefe da diretoria de Assuntos Internos da administração presidencial, Andrei Yarin, o assessor e membro do Gabinete presidencial, Serguei Kirienko, e o vice-ministro de Defesa, Pavel Popov.

A organização atingida é o Instituto Científico de Estado para Química Orgânica e Tecnologia, considerado o produtor da substância química do grupo novichock, encontrada no sangue de Navalny.

A confirmação vem após fontes diplomáticas terem informado, na quarta-feira (14), que todos os embaixadores dos 27 Estados-membros concordaram com as sanções - que congelam bens e ativos na União Europeia e proíbem viagens pelos países do bloco. A proposta contra a Rússia foi apresentada no dia 12 de outubro pela Alemanha e pela França.

Apesar de fora politicamente da UE, o governo do Reino Unido apoiou a imposição de sanções contra a Rússia pelo envenenamento. O anúncio foi feito pelo ministro das Relações Exteriores, Dominic Raab, através de nota oficial.

Já o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, considerou as novas sanções como uma medida "hostil e ilógica" e ressaltou que Moscou responderá da maneira que "seja mais adaptada aos nossos interesses".

- O caso:

Navalny foi envenenado com uma substância química do grupo novichock no dia 20 de agosto, segundo constataram laboratórios da Alemanha, Suécia, França e da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq).

O opositor passou mal assim que seu voo decolou da cidade de Tomsk, na Sibéria, e que tinha como destino final a capital Moscou. O advogado e membros do seu grupo Fundo Anticorrupção estavam na cidade para investigar denúncias antes das eleições locais.

Por conta da gravidade da situação de saúde do russo, os pilotos fizeram um pouso de emergência ainda na Sibéria, em Omsk, para onde o advogado foi levado para um hospital de emergências e internado na unidade de terapia intensiva já em coma.

A pedido da família, e com a ajuda de uma ONG alemã, o opositor foi transferido para o hospital Charitè, de Berlim. Após cerca de um mês internado, o russo recebeu alta no dia 23 de setembro, mas continua em tratamento médico na Alemanha.

O governo russo, primeiramente, negou que tenha sido encontrado veneno na corrente sanguínea de Navalny porque os exames feitos em Omsk não mostraram a substância. Na realidade, a princípio, os médicos russos haviam confirmado que o paciente tinha sido alvo de envenenamento, mas depois voltaram atrás, alegando que nenhuma substância química capaz de provocar o estado de coma tinha sido encontrada.

Depois, diante da repercussão internacional, o próprio Putin chegou a acusar o advogado e seus assessores de terem feito o envenenamento de propósito. (ANSA).
   

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