Biden reconstrói 'muro azul' para chegar à Casa Branca

Democrata retomou estados perdidos por Hillary em 2016

Festa nas ruas da Filadélfia pela vitória de Joe Biden (foto: EPA)
18:54, 07 NovSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - Existem muitas explicações para a derrota de Hillary Clinton em 2016, mas uma das principais é sua negligência com três estados que eram confiáveis redutos democratas e acabaram caindo nas graças de Donald Trump: Michigan, Pensilvânia e Wisconsin, no chamado "Cinturão da Ferrugem".

Há quatro anos, o republicano conquistou esses três estados e seus 46 delegados no colégio eleitoral com menos de um ponto de vantagem sobre Hillary, seduzindo a maioria do eleitorado com um discurso sectário e antiglobalização que tem forte apelo em um operariado branco vitimado pela fuga de indústrias.

A reconstrução desse antigo "muro azul" por Joe Biden em 2020 pavimentou seu caminho até a Casa Branca. Além de ter mantido Illinois (20 delegados), outro importante estado do Cinturão da Ferrugem, o democrata supera o republicano por 146 mil votos no Michigan (50,6% a 47,9%), por 34,5 mil na Pensilvânia (49,7% a 49,2%) e por 20,5 mil no Wisconsin (49,6% a 48,9%) - a apuração ainda não foi concluída.

 

Outro fator une esses três estados: com amplo domínio "vermelho" nos condados menores, Biden conseguiu reconstruir o "muro azul" graças a votações massivas em áreas urbanas e de grande população negra.

No condado de Wayne, onde fica Detroit, a maior cidade do Michigan, 38,7% da população é negra ou afro-americana, de acordo com o censo dos Estados Unidos, e ali Biden garantiu 587 mil de seus quase 2,8 milhões de votos no estado. Considerando apenas esse condado, o placar é de 68,1% a 30,7%, com uma diferença de 323 mil votos entre o democrata e o republicano.

Hillary também havia vencido em Wayne em 2016, mas por margem de 290 mil votos, o que impactou no placar final no Michigan, onde Trump ganhou com uma diferença de pouco mais de 10 mil.

Cenário semelhante acontece no condado de Milwaukee, o mais populoso do Wisconsin e que tem 27,2% de sua população formada por negros ou afro-americanos - considerando apenas a cidade de Milwaukee, esse percentual sobe para 38,8%.

Biden venceu no condado por 183 mil votos (69,4% a 29,4%), aumentando a diferença obtida por Hillary: 162,7 mil (65,5% a 28,6%). Se em 2016 Trump conquistara o estado com 22,7 mil votos de vantagem, em 2020 ele perdeu por 20,5 mil.

Biden também tem votação massiva no condado da Filadélfia, o mais populoso da Pensilvânia e onde a vantagem sobre Trump já supera os 430 mil (com a apuração do voto postal, majoritariamente democrata, ainda em curso). O placar no condado, que tem 43,6% de negros e afro-americanos, é de 81% a 18,3%.

Geórgia

Biden acabou não precisando da Geórgia para assegurar sua eleição, mas se encaminha para uma vitória histórica em um estado que escolhe republicanos ininterruptamente desde 1996.

Trump venceu Hillary na Geórgia com vantagem de 211 mil votos há quatro anos, mas agora Biden lidera com pouco mais de 7,2 mil.

Com a apuração ainda em curso, o presidente eleito já tem 583 mil votos a mais que a candidata derrotada em 2016.

Muito desse resultado se deve a Atlanta e sua população 51,8% negra. A maior cidade da Geórgia se divide entre os condados de Fulton e DeKalb, onde Biden já tem 134,2 mil votos a mais que Hillary.

O presidente eleito ainda melhorou o desempenho democrata nos condados de Richmond (+10 mil votos em relação a Hillary), Muscogee (+9,6 mil), Bibb (+6,5 mil), Chatham (+16 mil) e Clarke (+6,4 mil), sendo que nos três primeiros cerca de metade da população é negra e afro-americana. (ANSA)  

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