Chefe de saúde de Estocolmo pede ajuda para lidar com Covid

Suécia adotou modelo mais brando e agora vê leitos esgotarem

Vida na Suécia se manteve 'quase normal' durante toda a pandemia
Vida na Suécia se manteve 'quase normal' durante toda a pandemia (foto: EPA)
08:35, 10 DezSÃO PAULO ZGT

(ANSA) - O chefe de saúde de Estocolmo, Björn Eriksson, fez um apelo ao governo da Suécia nesta quarta-feira (09) por conta da gravíssima situação da capital do país na pandemia de Covid-19.

"Precisamos de ajuda", disse Eriksson apresentando dados que mostram que 99% dos leitos das unidades de terapia intensiva estão ocupados. Eram 814 internações nessa quarta, um aumento de 66 internações em apenas cinco dias.

O representante ainda pediu que a população evite sair dizendo que as "consequências são horríveis" se os cidadãos optarem por sair "para tomar drinques depois do trabalho e correr para fazer as compras de Natal".

A Suécia é o caso mais famoso em que o governo não quis adotar medidas restritivas mais rígidas na primeira onda de casos de coronavírus Sars-CoV-2, como uma imposição de lockdown ou o fechamento do comércio não essencial.

A tática para atingir a chamada "imunidade de rebanho" foi amplamente adotada, pedindo apenas para que os cidadãos evitassem saídas desnecessárias e aglomerações, além de reforçar os cuidados com a higiene - apostando na disciplina da população para evitar uma explosão de casos. A aposta era tão alta que o epidemiologista Anders Tegnell dizia que era para ele ser cobrado quando o outono, no hemisfério europeu, chegasse. Pois bem, ele chegou e trouxe um cenário muito ruim.

Porém, desde o início, a estratégia se mostrava bastante custosa, com o país tendo a maior taxa de mortalidade entre os países escandinavos. Agora, Estocolmo - assim como todo o país - vê uma segunda onda ainda mais forte, com a saturação do sistema sanitário.

A alta nos números fez o governo de Stefan Lovfen anunciar, em 16 de novembro, uma primeira restrição de encontros públicos - limitados a oito pessoas - e a recomendação para o ensino superior ministrar aulas à distância. No entanto, os dados não param de aumentar.

Para se ter uma ideia, segundo a Universidade Johns Hopkins, a Suécia tem 7.296 mortes e 304.793 casos da Covid-19 desde o início da pandemia, números muito superiores aos seus vizinhos, que adotaram medidas rígidas: Dinamarca (904 óbitos/97.895 casos), Noruega (361/39.525) e Finlândia (433/28.732).

A taxa de mortalidade na Suécia, ainda conforme a Johns Hopkins, é de 70,70 a cada 100 mil habitantes. Na Dinamarca é de 15,54/100mil, na Noruega é de 6,79/100 mil e na Finlândia é de 7,68/100mil. (ANSA).
   

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