Justiça britânica determina que Assange continue na prisão

Juíza considerou risco de fuga do australiano para o México

Assange permanecerá na prisão até fim de julgamento das apelações judiciais
Assange permanecerá na prisão até fim de julgamento das apelações judiciais (foto: EPA)
12:39, 06 JanLONDRES ZGT

(ANSA) - A Justiça do Reino Unido rejeitou um pedido da defesa do fundador do Wikileaks, Julian Assange, para ser libertado sob fiança nesta quarta-feira (06). Com isso, o australiano continua detido no presídio de segurança máxima de Belmarsh, onde está há quase dois anos.

Para a juíza Vanessa Baraitser, que há dois dias negou a extradição de Assange para os Estados Unidos, há o risco de fuga enquanto recursos de apelação ainda são analisados judicialmente.

"Há razões para acreditar que se o senhor Assange for colocado em liberdade hoje, ele não irá se apresentar ao tribunal para enfrentar os casos de apelação", ressaltou Baraitser, lembrando que horas após a decisão do tribunal, o governo do México já ofereceu asilo político para o fundador do Wikileaks.

Além disso, Baraitser ressaltou que Assange violou sua liberdade condicional em 2012, quando respondia a um processo na Suécia, e buscou asilo político na embaixada do Equador em Londres, onde permaneceu por sete anos até a revogação da medida pelo governo de Quito.

A juíza ainda considerou que o presídio de Belmarsh oferece uma boa assistência médica para a saúde mental do australiano de 49 anos e que há baixíssimo risco de que ele contraia a Covid-19 no local.

Um dos advogados de defesa, Edward Fitzgerald, se disse "decepcionado" com a decisão e informou que irá recorrer da medida na Alta Corte.

Apesar de não ter mais nenhuma acusação vigente no Reino Unido, os Estados Unidos entraram com um recurso contra a decisão do tribunal londrino de não extraditá-lo para o país. Em território norte-americano, Assange é acusado por 17 crimes federais de espionagem e por divulgação de documentos secretos das Forças Armadas.

Em 2010, o australiano usou o Wikileaks para publicar milhares de documentos - cerca de 700 mil - que mostravam que os militares norte-americanos cometerem crimes de guerra contra civis no Iraque e no Afeganistão. (ANSA).
   

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