Rússia e UE não são parceiros, mas rivais, diz Borrell

Alto representante está em Moscou para reunião com chanceler

Borrell está na Rússia para se reunir com ministros russos
Borrell está na Rússia para se reunir com ministros russos (foto: EPA)
10:56, 04 FevMOSCOU ZGT

(ANSA) - O alto representante para a Política Exterior da União Europeia, Josep Borrell, afirmou que o bloco não vê os russos como "parceiros" na atualidade, mas sim como "rivais". O espanhol está na Rússia para a primeira visita oficial de um ocupante do cargo em quase quatro anos.

Durante uma entrevista com a agência de notícias local Interfax, Borrell foi questionado sobre a atual crise na relação entre Moscou e Bruxelas e o que seria necessário fazer para que fosse retomada uma relação mais construtiva.

"Nossas relações estão se deteriorando desde a última década e, especialmente desde que a Rússia anexou ilegalmente a Crimeia e Sebastopol em 2014, elas foram marcadas pela falta de confiança. Hoje, nós fundamentalmente vemos uns aos outros como rivais e competidores e não como parceiros", destacou Borrell.

"Nós temos grandes desavenças quando falamos dos conflitos em nossa vizinhança próxima, da Ucrânia a Belarus, da Líbia a Síria, e quando falamos dos direitos humanos e liberdades fundamentais. Nós deixamos nossa posição bem clara sobre o envenenamento de Alexei Navalny, sua prisão e a de milhares de manifestantes nos últimos dias, seguida de sua condenação a dois anos e oito meses de prisão. De qualquer maneira, nossos canais de comunicação permanecem e precisam permanecer abertos", acrescentou ainda.

Borrell ainda pontuou que os "canais de comunicação" que citou não são usados "sempre de maneira suficiente" e que, ao invés desse tipo de conversa, os dois lados "ficam falando mais uns dos outros, o que só perpetua a desconfiança e pouco faz para enfrentar os desafios em nossa relação".

Sobre Navalny, os europeus foram unânimes em condenar a perseguição política ao opositor do presidente Vladimir Putin e consideram o advogado como um preso político do governo. O alto representante ainda afirmou que falará com o ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, sobre a libertação de Navalny e dos manifestantes porque isso "é inaceitável".

Questionado pela Interfax se a UE está se opondo às vacinas anti-Covid produzidas pela Rússia, o representante negou e disse que o bloco está fazendo uma "aproximação multilateral para garantir a entrega de vacinas ao redor do mundo" através da "cooperação global".

Ao lembrar que o governo russo "controla a mídia" do país e "espalha desinformação sobre o combate ao vírus", Borrell ressaltou que há "infundadas acusações de que o Ocidente está sabotando a [vacina] Sputnik V por razões políticas e econômicas".

Do outro lado, questionado sobre a visita do espanhol, o porta-voz do governo Putin, Dmitri Peskov, afirmou que espera que as reuniões "desbloqueiem" o diálogo com a União Europeia e que "tenho o objetivo de discutir abertamente todas as divergências existentes".

Antes de Borrell, a última visita do responsável pela política externa da UE havia ocorrido em 2017 com a viagem de Federica Mogherini. (ANSA).
   

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