Biden e Xi debatem relação tensa e pandemia de Covid-19

Presidente dos EUA reforçou críticas sobre direitos humanos

Biden conversou formalmente com Xi pela primeira vez desde que assumiu a presidência dos EUA
Biden conversou formalmente com Xi pela primeira vez desde que assumiu a presidência dos EUA (foto: EPA)
07:43, 11 FevWASHINGTON ZGT

(ANSA) - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e seu homólogo chinês, Xi Jinping, tiveram a primeira conversa formal na noite desta quarta-feira (10) e debateram tanto a questão dos direitos humanos como a gestão da pandemia de Covid-19.

Segundo informou em nota a Casa Branca, Biden expressou "profundas preocupações" sobre a situação de Hong Kong e Taiwan, onde a repressão de Pequim tem aumentado, e sobre as denúncias de violações de direitos humanos da minoria muçulmana uigur em Xinjiang. Ainda de acordo com o comunicado, o presidente manifestou preocupação sobre "as práticas econômicas coercitivas e incorretas" dos chineses. Os dois debateram também os "desafios comuns" relacionados às mudanças climáticas e sobre a proliferação de armamentos.

Na conversa, Biden reafirmou que suas prioridades são proteger a segurança, a prosperidade, a saúde e o estilo de vida dos cidadãos norte-americanos.

Por sua vez, Pequim não emitiu nota formal, mas a mídia estatal deu detalhes do telefonema. A emissora "CCTV" informou que Xi destacou que a prática do conflito direto, vista durante o período da presidência de Donald Trump, seria "um desastre para ambos os países" e que os dois lados "precisam respeitar-se".

Conforme a estatal, o presidente chinês solicitou a retomada de um mecanismo de diálogo com os Estados Unidos a fim de gerir dossiês abertos e prevenir "incompreensões e erros" de análise, convidando a um "diálogo construtivo".

Já o tabloide "Global Times", que pertence ao "Diário do Povo" do Partido Comunista Chinês, ressaltou que Xi foi enfático ao dizer que as questões relativas a Taiwan, Hong Kong e Xinjiang "são assuntos internos que referem-se à soberania e à integridade territorial da China". O mandatário ainda afirmou que os "Estados Unidos devem respeitar os interesses fundamentais da China e enfrentar tais questões com prudência".

E, nesta quinta-feira (11), o editor do "Global Times", Hu Xijin, pontuou que a iniciativa do telefonema de Biden "é uma indicação do respeito e da boa vontade" do líder norte-americano, mesmo que existam ainda divergências entre os dois lados.

"O significado do telefonema de ontem não reside só no fato que ele promoveu a comunicação pessoal entre os dois líderes, mas também que deu um sentido de rito às relações China-EUA e exprime respeito recíproco. Nesse dia especial para os chineses, acredito que tenha um significado muito positivo para a realização de objetivos da gestão das diferenças", escreveu Hu referindo-se à comemoração do Ano Novo Lunar, comemorado nesta sexta-feira (12).

A conversa entre Biden e Xi ocorre um dia depois de uma entrevista do líder norte-americano em que ele afirmara que o chinês "não tem um só osso democrático", mas que iria focar no caminho da "competição extrema" e não do "conflito".

As relações entre China e EUA vem se deteriorando desde a presidência de Barack Obama, mas a situação se agravou durante o governo Trump, pela postura do republicano de usar o ataque direto e não através dos organismos multilaterais. Uma série de sanções políticas, econômicas, diplomáticas e tecnológicas foram implantadas ao longo dos últimos quatro anos. (ANSA).
   

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