G7 promete mais US$ 4 bilhões para levar vacinas a países pobres

Membros do grupo, contudo, não abordaram questão da prioridade

Encontro virtual dos países do G7
Encontro virtual dos países do G7 (foto: ANSA)
14:24, 19 FevNOVA YORK ZLR

(ANSA) - Em uma reunião marcada por estreias, os líderes do G7 se comprometeram nesta sexta-feira (19) a investir mais US$ 4 bilhões para acelerar o desenvolvimento e a distribuição de vacinas contra a Covid-19.

O encontro virtual foi pedido pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, que preside o grupo em 2021 e sediará sua próxima reunião de cúpula, em Carbis Bay, entre 11 e 13 de junho.

Esse foi o primeiro evento do G7 com as participações dos novos premiês da Itália, Mario Draghi, e do Japão, Yoshihide Suga, e do recém-empossado presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

Em comunicado conjunto divulgado após a reunião, os governantes prometeram trabalhar com a Organização Mundial da Saúde (OMS) para "apoiar seu papel de liderança e coordenação" e para "acelerar o desenvolvimento e a distribuição global de vacinas".

Segundo o texto, o G7 pretende atuar para "aumentar a capacidade de produção [de imunizantes], incluindo por meio de licenciamento voluntário, e o compartilhamento de informações, bem como o sequenciamento de novas variantes" do Sars-CoV-2.

"Reafirmamos nosso apoio [...] a um acesso equitativo a vacinas, tratamentos e diagnósticos, refletindo o papel da imunização em larga escala como um bem público global", diz o comunicado conjunto.

De acordo com o G7, serão destinados mais US$ 4 bilhões para a Covax Facility, iniciativa para facilitar o acesso de países em desenvolvimento a imunizantes anti-Covid, e para o Acelerador ACT (ACT-A), projeto da OMS para coordenar os esforços globais para o desenvolvimento de vacinas e medicamentos.

Ao todo, os países do G7 já prometeram aportar US$ 7,5 bilhões nas duas iniciativas. "Convidamos todos os parceiros, incluindo o G20 e instituições financeiras internacionais, a se juntarem a nós no aumento do apoio ao ACT-A, inclusive para expandir o acesso de países em desenvolvimento a vacinas aprovadas pela OMS, por meio da Covax Facility", afirma o comunicado.

Desigualdade

Apesar da promessa de repasses bilionários para acelerar a distribuição de vacinas, os países do G7 (EUA, Japão, Alemanha, França, Itália, Canadá e Reino Unido, além da União Europeia) não disseram se estão dispostos a abrir mão da prioridade na entrega de imunizantes pela indústria farmacêutica.

A UE e o Canadá, por exemplo, já fecharam contratos que garantem doses para vacinar suas populações mais de três vezes. Além disso, integrantes do G7, como a Itália, iniciaram a vacinação de pessoas que não fazem parte dos principais grupos de risco (idosos e profissionais da saúde), enquanto quase todos os países da África sequer começaram suas campanhas de imunização.

Até o momento, cerca de 194,4 milhões de doses foram aplicadas no mundo inteiro, segundo o portal Our World in Data, sendo que menos de 3 milhões correspondem ao continente africano.

"A pandemia será derrotada apenas quando houver vacinas para todos", disse a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, que aumentou de 600 milhões de euros para 1,5 bilhão (US$ 1,82 bilhão) a contribuição de seu país para a Covax Facility e outros mecanismos de colaboração. (ANSA)

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