Militares acusam Suu Kyi de mais 2 crimes em Myanmar

Líder do país está presa há um mês depois de golpe de Estado

Protestos pedindo pela libertação de Suu Kyi continuam mesmo com a repressão dos militares (foto: EPA)
11:22, 01 MarYANGON ZGT

(ANSA) - Os militares que deram um golpe de Estado em Myanmar acusaram a líder "de facto" do país, Aung San Suu Kyi, de mais dois "crimes", informou o advogado da Nobel da Paz, Nay Tu, nesta segunda-feira (1º). Agora, ela responderá por "violação das leis de comunicação e por incitação à desordem" por conta das manifestações diárias contra as Forças Armadas.

Nesta segunda-feira, Suu Kyi teve a primeira audiência judicial sobre as outras duas acusações feitas pelos militares, de violação da lei de comércio internacional por ter importado rádios de comunicação para seus agentes de segurança e por ter violado a lei de catástrofes ambientais por conta da pandemia de Covid-19.

Este último "crime" também foi imputado contra o presidente do país, Win Mynt. Ambos estão em prisão domiciliar em uma residência na capital Nai Pyi Daw.

Ainda conforme o representante de defesa de Suu Kyi, ele não foi autorizado a falar com sua cliente antes da audiência. A próxima sessão está marcada para 15 de março.

Mesmo com a intensa repressão policial, que causou ao menos 18 mortes neste fim de semana, milhares de pessoas voltaram às ruas para exigir a retomada da democracia em Myanmar e a libertação dos presos políticos nesta segunda-feira.

Barricadas foram erguidas em diversas ruas de Yangon pelos manifestantes com madeiras e pneus. Outras localidades também registraram marchas pela democracia.

Golpe -

O golpe militar dado em 1º de fevereiro foi justificado por conta de uma suposta fraude eleitoral no pleito de 8 de dezembro - a data escolhida era a da posse dos novos parlamentares.

Após a prisão de Suu Kyi e Myint, as Forças Armadas assumiram o poder através de uma junta militar e decretaram um ano de emergência. Porém, desde o início, milhares de pessoas estão indo às ruas para exigir a volta da democracia.

No primeiro momento, os militares não agrediam os manifestantes, mas dia após dia a violência foi aumentando com este fim de semana sendo o mais violento em um mês.

Suu Kyi lidera o partido Liga Nacional para a Democracia (NLD) e teve uma vitória avassaladora em dezembro, com mais de 70% dos votos recebidos. No entanto, segundo analistas, os militares perceberam que estavam perdendo poder e influência para a líder civil e decidiram dar um golpe de estado. (ANSA).
   

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