Mais um aliado de Suu Kyi morre em prisão de Myanmar

Líderes políticos estão sendo presos durante atos contra golpe

Militares têm usado armamento letal contra as manifestações contra o golpe de Estado (foto: EPA)
13:39, 09 MarROMA ZGT

(ANSA) - Um segundo membro do partido Liga Nacional para a Democracia (NLD), da líder "de facto" e Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, morreu em uma prisão de Myanmar, informou a própria sigla em nota divulgada nesta terça-feira (9).

A notícia ocorre menos de três dias depois do falecimento do líder do NLD em Yangon, Khin Maung Latt, que também morreu dentro de um presídio. O nome do político não foi divulgado, mas ele se junta às dezenas de vítimas - ao menos 50, segundo as Nações Unidas - que morreram em protestos contra o golpe de Estado aplicado pelos militares em 1º de fevereiro.

Apesar da violência e da repressão, os cidadãos continuam a ir diariamente para as ruas das cidades - sejam grandes ou não - para exigir a retomada da democracia e a libertação de Suu Kyi e do presidente Win Myint, ambos detidos em prisão domiciliar.

Os militares acusam a Nobel da Paz de 1991 de quatro crimes: violação da lei de comércio ao importar rádios de comunicação, da lei de comunicação e da gestão de desastres ambientais por conta da pandemia de Covid-19 e por incitar os protestos contra o governo. Já Myint responde pelo mesmo "crime" na gestão da crise sanitária.

Porém, esse não foi o motivo alegado para a prisão em fevereiro, pois ambos eram acusados por "fraudes eleitorais" na disputa de 8 de dezembro, quando o NLD teve mais de 70% dos votos. A data do golpe, inclusive, era o dia em que o novo Parlamento tomaria posse.

Freiras se mobilizam -

Após a freira Ann Nu Thawng chamar a atenção do mundo no dia 28 de janeiro ao ajoelhar e pedir que cerca de 100 jovens não fossem atacados pela polícia, as religiosas da ordem de São Francisco Savério, que atuam em Myitkyina, voltaram às ruas para defender os manifestantes.

Segundo a agência católica Fides, o bispo emérito Francis Daw Tang e as freiras voltaram a fazer apelos para que os agentes parem de atirar e prender os jovens.

Na noite desta segunda-feira (8), ao menos dois foram mortos, sete ficaram feridos e 91 foram presos na área próxima à catedral de São Columbano, onde também está localizado o convento.

"Pedimos que eles não matem e, por isso, estamos apelando para os militares. Temos medo que os agentes da polícia matem os jovens manifestantes e a nossa presença como pessoas de fé, operadores da paz, pode ajudar a fazer eles desistirem. Por isso, vamos para as ruas", disse uma das religiosas à agência. (ANSA).
   

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