Benefícios de vacina da AstraZeneca superam riscos, diz EMA

Agência europeia fará reunião extraordinária na próxima quinta

Agência europeia fará reunião extraordinária na próxima quinta
Agência europeia fará reunião extraordinária na próxima quinta (foto: ANSA)
19:45, 15 MarBRUXELAS ZCC

(ANSA) - A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) defendeu nesta segunda-feira (15) que os benefícios da vacina anti-Covid fabricada pela multinacional anglo-sueca AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford, superam os riscos de efeitos colaterais.

A afirmação foi feita por Marco Cavaleri, chefe da estratégia de vacinação da EMA, em audiência no Parlamento Europeu, após diversos países do bloco, incluindo a Itália, suspenderem temporariamente a aplicação dos imunizantes depois do relato de casos graves de coagulação sanguínea em pessoas recém-vacinadas.

"A relação entre benefícios e riscos da vacina anti-Covid da AstraZeneca é considerada positiva e não vemos problema em continuar vacinações com este imunizante", afirmou o executivo.

Segundo Cavaleri, a multinacional está "examinando os dados e eventos letais relatados para tentar entender se há aglomerados específicos de casos ligados a certos tipos de patologias ou ao estado médico dos sujeitos".

"Os eventos envolvendo coágulos de sangue, alguns com características invulgares como o baixo número de plaquetas, ocorreram num número muito reduzido de pessoas que receberam a vacina", diz a EMA em comunicado.

Além disso, "muitos milhares de pessoas desenvolvem anualmente coágulos de sangue na UE, por diferentes razões". Até o momento, não há evidências que "demonstra um risco emergente que afeta a relação benefício e risco".

Ainda assim, a agência europeia fará uma revisão dos dados nesta terça-feira (16) e agendou uma reunião extraordinária para a próxima quinta-feira (18), para debater a situação e avaliar "ações que tenham de vir a ser tomadas".

Os especialistas vão analisar as "circunstâncias clínicas disponíveis em torno de casos específicos para determinar se a vacina pode ter contribuído ou se o evento é suscetível de se ter devido a outras causas".

Hoje, a França se uniu à Itália, Alemanha, Irlanda, Holanda e suspendeu a administração da vacina AstraZeneca, enquanto aguarda o parecer da EMA, conforme anúncio do presidente Emmanuel Macron. Luxemburgo tomou a mesma decisão e, de acordo com a imprensa espanhola, o governo da Espanha também bloqueou o uso do imunizante temporariamente.

No momento em que "várias autoridades responsáveis pelas campanhas nacionais de vacinação nos países da UE decidiram fazer uma pausa temporária" no uso da vacina da AstraZeneca, a EMA esclarece que esta decisão se traduz numa "precaução tomada à luz da sua situação nacional".

Até agora, a EMA revelou que está avaliando os efeitos das 11 milhões de doses da vacina que já foram administradas em todo o bloco.

Variantes -

O chefe da estratégia de vacinação da EMA ainda explicou que, 'desde os primeiros estudos realizados, as vacinas de RNA mensageiro (Moderna e Pfizer-BioNTech) apresentam excelente eficácia contra as novas variantes da Covid, assim como o imunizante da Johnson & Johnson.

"Segundo um pequeno estudo de dois mil casos, a vacina AstraZeneca revelou-se ineficaz" contra a variante sul-africana, mas será necessário aguardar estudos maiores para verificar sua real eficácia", afirmou Cavaleri.

Além disso, o especialista afirmou que a EMA está "trabalhando para acelerar a autorização de novos locais de produção para a AstraZeneca neste mês, a fim de aumentar o abastecimento em toda a União Europeia (UE)". (ANSA)

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