Em meio a disparada de casos, Nova Délhi anuncia lockdown

Festivais religiosos estão entre motivos de aumentos no país

Nova Délhi anunciou lockdown de uma semana para tentar conter avanço da pandemia
Nova Délhi anunciou lockdown de uma semana para tentar conter avanço da pandemia (foto: EPA)
11:17, 19 AbrNOVA DELHI ZGT

(ANSA) - A cidade de Nova Délhi, na Índia, anunciou nesta segunda-feira (19) um lockdown de uma semana para tentar frear o avanço dos casos de Covid-19, que não para de bater recordes diários e já sobrecarrega o sistema hospitalar.

"Se não impormos um confinamento agora, teremos um desastre maior. A partir dessa noite, teremos um lockdown até a próxima segunda-feira", declarou o ministro-chefe da cidade, Arvind Kejriwal.

Nas últimas 24 horas, a capital indiana passou da marca de 23 mil novos contágios, em número que ajudou o país a superar os 200 mil casos diários pelo quinto dia consecutivo. Segundo a mídia local, o anúncio pegou os moradores e comerciantes de surpresa e muitas foram as filas vistas em supermercados para a compra de mantimentos.

No entanto, a situação crítica não se restringe à Nova Délhi. E uma das possíveis causas da rápida disseminação são os festivais religiosos que são celebrados durante os fins de semana de março e abril em todo o país e que causam aglomerações de milhares - ou até milhões - de pessoas.

A cidade de Haridwar, sagrada para os hinduístas, anunciou a suspensão do Khumba Mela, o festival em que os fiéis se banham nas águas do rio Ganges. De acordo com a administração local, a realização do evento nos dias 10 e 11 de abril, provocou uma alta nas contaminações diárias, que passaram de mil por dia, e a morte de três líderes religiosos.

Porém, líderes de três congregações hinduístas se negam a interromper o festival, conforme relata o jornal "The Hindustan Times". Em entrevista com o secretário-geral da organização Akhil Bhartiya, Akhada Parishad, "o Khumba Mela não será interrompido e nós continuaremos a seguir os ritos prescritos no calendário como a tradição manda, até 30 de abril". Parishad reconhece o risco do coronavírus Sars-CoV-2, mas diz que os "nossos grupos religiosos estão comprometidos em respeitar as normas de precaução".

Os dados atualizados do governo nas últimas 24 horas mostram que o país contabilizou 273.810 novos casos e 1.619 mortes. Com isso, o país soma mais de 15 milhões de contágios confirmando, passando novamente o Brasil e se tornando a segunda nação em números absolutos, e registra quase 179 mil mortes entre seus mais de 1,3 bilhão de habitantes.

Boris Johnson cancela viagem 

Por conta desse avanço da pandemia de Covid-19 na Índia, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, cancelou a visita que faria ao território na próxima semana.

Uma nova visita será marcada "em breve", segundo Downing Street, e o encontro com o premiê Narendra Modi será realizado "de maneira virtual".

"Narendra e eu chegamos, com muito desgosto, à conclusão que não conseguirei fazer essa viagem. É frustrante, mas acho que é sensato adiá-la visto o que ocorre na Índia, a dimensão atual da pandemia ali. Tantos países, como o nosso, passaram por momentos assim e acredito que agora é preciso a solidariedade de todos com a Índia", disse Johnson aos jornalistas. (ANSA).
   

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