Erdogan critica Biden por reconhecimento de genocídio armênio

Presidente turco definiu a decisão como 'injusta'

Passeata em Los Angeles, nos EUA, em memória das vítimas do genocídio armênio, em 24 de abril de 2021
Passeata em Los Angeles, nos EUA, em memória das vítimas do genocídio armênio, em 24 de abril de 2021 (foto: EPA)
14:27, 26 AbrISTAMBUL ZLR

(ANSA) - O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse nesta segunda-feira (26) que a decisão de seu homólogo americano, Joe Biden, de reconhecer o massacre dos armênios pelo Império Otomano como um genocídio é "sem fundamento e injusta".

Essa é a primeira declaração oficial de Erdogan após o reconhecimento de Biden, ocorrido no último sábado (24), data do 106º aniversário do início da matança, que vitimou cerca de 1,5 milhão de pessoas.

"O presidente dos EUA fez comentários sem fundamentos e injustos", declarou o presidente turco em um pronunciamento televisivo. Erdogan ainda alertou que a postura de Biden pode ter um "impacto destrutivo" nas relações bilaterais.

"Acreditamos que ele tenha cedido aos grupos armênios radicais e hostis", acrescentou. A Turquia rechaça veementemente que o massacre dos armênios pelo Império Otomano tenha sido um genocídio, e o reconhecimento do extermínio por países estrangeiros sempre abriu crises diplomáticas com Ancara, que faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

O Congresso dos Estados Unidos já tinha reconhecido o genocídio em 2019, mas nunca um presidente havia citado explicitamente esse termo para se referir ao massacre. "Relembramos as vidas de todos aqueles que morreram no genocídio armênio na era otomana e renovamos nosso compromisso de evitar que tais atrocidades aconteçam novamente", diz uma declaração de Biden divulgada pela Casa Branca no sábado.

O comunicado não cita nenhuma vez a Turquia, que era o coração do Império Otomano, e diz que o objetivo do reconhecimento do genocídio não é "apontar culpados, mas sim garantir que o que aconteceu jamais se repita".

O genocídio ocorreu no âmbito da Primeira Guerra Mundial, quando o Império Otomano acusava as minorias cristãs de conspirarem com a Rússia czarista, sua adversária no conflito. A Turquia, república nascida após a guerra, admite a morte de cerca de 300 mil armênios, mas culpa a fome e uma guerra civil que vitimou os dois lados. (ANSA)

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA

archivado en