Biden estreia no Congresso e promete aumentar impostos dos ricos

Presidente pediu apoio a plano de mais de US$ 4 trilhões

Kamala Harris e Nancy Pelosi, segunda e terceira na hierarquia do Estado, aplaudem discurso de Joe Biden no Congresso
Kamala Harris e Nancy Pelosi, segunda e terceira na hierarquia do Estado, aplaudem discurso de Joe Biden no Congresso (foto: EPA)
09:50, 29 AbrWASHINGTON ZLR

(ANSA) - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, fez na noite desta quarta-feira (28) seu primeiro discurso no Congresso e pediu apoio a um plano de mais de US$ 4 trilhões para relançar a economia americana no pós-pandemia.

Perante um Legislativo dividido e com a promessa de forte oposição republicana ao aumento dos gastos públicos, o mandatário afirmou que seu programa econômico é o "maior desde a Segunda Guerra Mundial". "O futuro da América está em nossas mãos", disse Biden.

O plano se divide em um pacote de US$ 2,3 trilhões em investimentos em infraestrutura e outro de US$ 1,8 trilhão voltado às famílias. Os gastos serão parcialmente financiados por meio do aumento dos impostos sobre os mais ricos, ideia sempre rechaçada pelos republicanos.

"Não vou impor nenhum aumento de impostos sobre pessoas que ganham menos de US$ 400 mil [por ano]. Mas chegou a hora de as grandes empresas americanas e os mais ricos, que representam 1% da população, pagarem a cota justa", disse Biden.

Segundo o presidente, 55% das maiores empresas do país não pagaram nada em imposto de renda federal no ano passado, apesar de terem somado mais de US$ 40 bilhões em lucros. "E muitas empresas evadiram o fisco através de paraísos fiscais. Isso não é justo", sentenciou.

Biden ainda disse que a pandemia piorou a situação: "Enquanto 20 milhões de americanos perdiam seus trabalhos, os 640 bilionários da América viram sua riqueza aumentar em mais de US$ 1 trilhão".

"Herdei um país em crise, mas agora a América está de novo no rumo", exultou o presidente, reivindicando sobretudo o sucesso na campanha de vacinação contra o novo coronavírus, com 220 milhões de doses aplicadas em 100 dias.

Rompimento com Trump

O primeiro discurso do inquilino da Casa Branca no Congresso contrastou com o último pronunciado por Donald Trump, em janeiro passado, quando a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, rasgou na frente de todos o texto da fala do republicano.

Desta vez, Pelosi protagonizou outra cena histórica, ao se sentar ao lado da vice-presidente dos EUA, Kamala Harris. Nunca antes duas mulheres haviam ficado atrás do mandatário americano em um discurso no Congresso.

"Senhora vice-presidente… Nenhum presidente havia pronunciado essas palavras neste palco. Já era hora", disse Biden, que também abordou a patente tensão racial vigente nos Estados Unidos e pediu a aprovação de uma lei para reformar o sistema policial no país.

"Vimos o joelho da injustiça sobre o pescoço dos americanos negros. É preciso mudar a página, o país quer isso", declarou, em referência ao assassinato de George Floyd pelo policial branco Derek Chauvin, condenado recentemente pelo homicídio.

O presidente ainda enviou um recado aos mandatários da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping. "A democracia é a essência da América, e os autocratas não vão vencer", declarou. (ANSA)

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