Itália sinaliza apoio a quebra de patentes de vacinas anti-Covid

Protesto nos EUA em defesa da quebra de patentes de vacinas anti-Covid
Protesto nos EUA em defesa da quebra de patentes de vacinas anti-Covid (foto: Ansa)
09:20, 07 MaiROMA ZLR

(ANSA) - A Itália sinalizou nesta quinta-feira (6) um apoio à proposta de suspender temporariamente as patentes de vacinas contra o novo coronavírus, medida agora defendida pelos Estados Unidos.

O premiê italiano, Mario Draghi, que concede raras entrevistas, ainda não se pronunciou sobre o assunto, mas dois de seus principais ministros indicaram ser a favor da quebra das patentes.

"A reviravolta de Biden sobre o livre acesso a patentes de vacinas é um importante passo à frente. A Europa também deve fazer sua parte. Essa pandemia nos ensinou que só podemos vencer juntos", disse o ministro da Saúde da Itália, Roberto Speranza, de centro-esquerda, no Facebook.

Já o ministro das Relações Exteriores, Luigi Di Maio, do antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), afirmou que o anúncio do governo de Joe Biden é um "sinal muito importante". "A Itália está presente, a Europa não pode perder essa ocasião e deve demonstrar que é unida e corajosa", escreveu o chanceler, também no Facebook.

"Precisamos de livre acesso a vacinas anti-Covid. É uma corrida contra o tempo, e necessitamos da colaboração de todos para evitar que sejamos esmagados por variantes do vírus. Todos os Estados devem ter a mesma oportunidade, então é fundamental liberar a produção [de vacinas]", reforçou Di Maio.

Patentes

Na noite da última quarta-feira (5), a gestão Biden surpreendeu o mundo ao anunciar seu apoio à quebra temporária de patentes de vacinas anti-Covid.

"Tempos extraordinários exigem medidas extraordinárias", disse a representante comercial dos EUA, Katherine Tai, por meio de um comunicado. Segundo ela, o país está participando "ativamente" de negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC) para que isso aconteça.

A pressão pela quebra das patentes é liderada pela Índia e por países da África, mas enfrenta oposição da União Europeia e até do Brasil. No entanto, enquanto o segundo ainda não se pronunciou sobre a nova abordagem da gestão Biden, a primeira agora diz estar disposta a discutir o assunto.

"Nossa prioridade é aumentar a produção para alcançar a vacinação global. Estamos abertos para debater qualquer solução efetiva e pragmática. Neste contexto, estamos prontos a verificar como a proposta dos EUA pode ajudar a atingir esse objetivo", disse nesta quinta a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

A tendência é de que o assunto seja discutido em uma cúpula informal de líderes da UE no Porto, em Portugal, nos dias 7 e 8 de maio. O presidente da França, Emmanuel Macron, já disse ser favorável à suspensão das patentes, enquanto o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Mass, afirmou que seu país está "aberto" a conversar sobre o tema.

A indústria farmacêutica, por sua vez, chamou a nova postura dos EUA de "decepcionante". "Estamos totalmente em linha com o objetivo de que as vacinas sejam distribuídas rápida e equitativamente no mundo. Mas, como já repetimos diversas vezes, uma suspensão [das patentes] é uma resposta simples, porém errada, a um problema complexo", diz um comunicado da Federação Internacional das Fabricantes e Associações Farmacêuticas (IFPMA).

ONU

O secretário-geral da ONU, António Guterres, elogiou a decisão dos EUA de pedir a revogação das patentes de vacinas contra o novo coronavírus.

Segundo Guterres, isso "permite aos fabricantes a oportunidade de compartilhar saberes e tecnologias que possibilitarão a expansão das vacinas produzidas localmente e o aumento significativo do fornecimento ao Covax.

"Devemos garantir que os países disponham de material necessário para produzir as vacinas", acrescentou. (ANSA)

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