Quebra de patentes de vacinas não resolve problema, diz UE

Von der Leyen cobrou maior exportação de doses de países ricos

Von der Leyen defendeu que países ricos exportem mais doses de vacinas anti-Covid
Von der Leyen defendeu que países ricos exportem mais doses de vacinas anti-Covid (foto: EPA)
19:14, 07 MaiBRUXELAS ZGT

(ANSA) - A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, falou nesta sexta-feira (7) sobre a quebra de patentes das vacinas anti-Covid após uma reunião de cúpula com os líderes do bloco europeu em Porto, Portugal.

O encontro - que contou com 24 dos chefes de Estado e Governo presentes - foi marcado para debater as questões sociais até 2030, mas a coletiva de Von der Leyen acabou sendo em grande parte sobre a questão das vacinas.

"Acredito que devemos estar abertos à discussão, mas precisamos de vacinas agora. A quebra da propriedade intelectual não resolverá o problema. O que resolve é o compartilhamento das vacinas, a exportação das doses e os investimentos para o aumento da produção", disse a líder europeia.

Sem citar outros países, a alemã deu uma alfinetada nas nações mais ricas - especialmente Estados Unidos e Reino Unido - dizendo que a "União Europeia é a única região democrática do mundo que exporta em larga escala".

"Cerca de 50% do que é produzido na Europa é exportado para 90 países, incluindo a Covax. São cerca de 200 milhões de doses que foram exportadas e cerca de 200 milhões de doses distribuídas aos europeus. Convidamos a todos os que estão se empenhando no debate da quebra temporária das patentes para se unirem a nós e exportar uma grande parte do que produzem", acrescentou.

Von der Leyen também afirmou que não deseja que os investimentos para o aumento da produção dos imunizantes seja feito apenas na Europa, "mas pretendo trabalhar também para que as empresas farmacêuticas invistam na capacidade produtiva, por exemplo, nos países africanos".

Agenda social 

A reunião de cúpula desta sexta-feira debateu, além da questão das vacinas, os desafios sociais que o bloco terá nos próximos anos. As definições serão publicadas na chamada "Declaração do Porto" e tem objetivos detalhados até 2030. No entanto, ficou definido que a adoção e aplicação das metas não será vinculante.

No texto, os líderes europeus se comprometem a "manter as medidas de emergência [da pandemia de Covid-19] até quando for necessário, promovendo uma meta para facilitar a criação de postos de trabalho" no bloco. Eles ainda pedem que o Conselho Europeu aprove os objetivos da Agenda Social 2030, entre os quais, estão 70% de ocupação de mão de obra e 60% dos trabalhadores adultos ligados a cursos de formação anual.

"A Declaração do Porto é um compromisso com o futuro e com a esperança. Hoje nós chegamos à conclusão que poderemos ter sociedades mais prósperas e iguais entre si, além de conseguir os objetivos climáticos e digitais, que nós já firmamos, e atuaremos em nossas bases sociais", afirmou o primeiro-ministro de Portugal, Antonio Costa.

O documento pontua que os líderes europeus e suas partes sociais acolhem com favor o plano de ação sobre a base europeia dos direitos sociais apresentado pela Comissão no início de março, que define ações concretas para atingir os objetivos sociais. O plano de ação propõe metas para a ocupação, desenvolvimento e inclusão social.

"O plano de ação ajudará a Europa a enfrentar as transformações que derivam dos novos desenvolvimentos no campo social, tecnológico e econômico e das consequências socioeconômicos da pandemia. Contribuirá ainda para garantir que, no âmbito da dupla transição digital e climática, ninguém será deixado para trás", diz o texto.

Durante os debates, o primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, cobrou que a economia seja mais igualitária e que inclua toda a população.

"Muitos países da UE têm um mercado de trabalho de duas vias, que dá vantagens aos garantidos, em geral, trabalhadores mais velhos e homens, em detrimento dos não garantidos, com as mulheres e os jovens. Esse sistema é profundamente injusto e é um obstáculo para nossa capacidade de crescer e inovar", disse o italiano.

Draghi ainda criticou as "muitas desigualdades" entre as nações do bloco europeu.

"Há tempos, a UE fez de seu modelo social um ponto de orgulho. O sonho europeu é garantir que ninguém seja deixado para trás. Mas, já antes da pandemia, as nossas sociedades e os nossos mercados de trabalho se fragmentaram. Desigualdades geracionais, desigualdades de gênero e desigualdades regionais. Essa não é a Itália como deveria ser, nem a Europa que deveria ser", acrescentou. (ANSA).
   

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