Pouso forçado de avião em Minsk gera crise entre UE e Belarus

Europeus acusam Lukashenko de mentir para prender jornalista

Voo da Ryanair foi obrigado a pousar em Minsk
Voo da Ryanair foi obrigado a pousar em Minsk (foto: EPA)
09:42, 24 MaiBRUXELAS ZGT

(ANSA) - O pouso forçado de um avião da Ryanair em Minsk, em Belarus, por conta de um suposto explosivo a bordo - mas que culminou com a prisão de um jornalista opositor ao regime - provocou uma crise diplomática entre a União Europeia e Belarus neste domingo (23).

O voo fazia o trecho entre Atenas, na Grécia, e Vilnius, na Lituânia, e ao entrar no espaço aéreo bielorrusso, aviões das Forças Armadas começaram a acompanhar a rota e obrigaram o piloto a pousar em Minsk. Todos os passageiros foram interrogados no chão e tudo foi revistado, sem que nenhum explosivo fosse localizado.

No entanto, a bordo da aeronave estava o jornalista Roman Protasevich, fundador do canal de Telegram "Nexta", usado por opositores para divulgar notícias. O presidente de Belarus, Aleksandr Lukashenko, está no poder desde 1994 e é acusado de fraudar as últimas eleições para se manter no poder, controlando também toda a mídia oficial.

Logo após a notícia se espalhar, os países do bloco europeu reagiram com indignação, pedindo a liberação de Protasevich, e convocaram uma reunião de emergência sobre o assunto nesta segunda (24) e terça-feira (25).

"Ao fazer esse ato coercitivo, as autoridade de Belarus colocaram em risco a segurança dos passageiros e do equipamento. É necessário conduzir uma investigação internacional sobre esse incidente e para avaliar qualquer violação das regras da aviação internacional. Essa situação será levada também ao próximo encontro do Conselho Europeu e a UE avaliará as consequências dessa ação, incluindo a adoção de medidas contra os responsáveis", afirmou o alto comissário europeu para Política Externa, Josep Borrell.

Os europeus podem tanto aplicar novas sanções como reforçar as já existentes por conta das fraudes nas eleições de julho do ano passado.

"A Itália condena firmemente a aterrisagem forçada de um voo comercial por obra das autoridades bielorrussas. Trata-se de uma violação inaceitável das regras internacionais de navegação da área", disse o chanceler italiano, Luigi Di Maio, neste domingo.

Nesta segunda-feira, o governo da Lituânia anunciou que vetou todos os voos nacionais de atravessar o espaço aéreo de Belarus. 

Já o CEO da Ryanair, Michael O'Leary, afirmou que o voo de sua empresa foi alvo de um "sequestro patrocinado pelo Estado", mas que não poderia falar sobre o assunto "porque as autoridades da União Europeia e da Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte] estão investigando isso".

O executivo ainda afirmou que estão sendo investigados se havia agentes russos de Inteligência a bordo da aeronave.

Por sua vez, o governo de Belarus continua a dizer publicamente que não fez nada de errado na situação.

"As ações de Minsk respeitaram plenamente as regras internacionais estabelecidas. O Ocidente politiza a situação e tomam conclusões aceleradas", diz uma nota publicada pelo Ministério das Relações Exteriores e repercutida pela agência de notícias russa Ria Novosti.

O documento diz que as declarações europeias "são surpreendentes" ao acusar o governo do país e que as "acusações são infundadas".

Pouco depois, um porta-voz do Ministério, afirmou que o país está pronto para receber especialistas internacionais "e que todos os materiais" que motivaram a ação "serão demonstrados, se for necessário".

Principal aliada de Belarus, a Rússia saiu em defesa do governo Lukashenko.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, disse que as acusações do países europeus "são chocantes" e que "os ocidentais são acusados no passado de sequestros, aterrisagens forçadas e prisões ilegais".

Por sua vez, o porta-voz do presidente Vladimir Putin, Dmitri Peskov, afirmou que o governo "não tem informações" de que agentes do país estivessem no voo e que a Presidência "não tem nada a comentar" sobre o incidente.

UE convoca embaixador

A União Europeia, sob solicitação do alto comissário para a Política Externa, Josep Borrell, convocou nesta segunda-feira (24) o embaixador de Belarus no bloco, Aleksandr Mikhnevich, para protestar sobre o pouso forçado.

“A decisão é para condenar o passo inadmissível das autoridades bielorrussas, que obrigaram um avião civil a fazer um pouso de emergência em Minsk com a prisão de um passageiro, Raman Protasevich, jornalista e ativista bielorrusso independente”, diz o comunicado assinado pelo secretário-geral do Serviço Europeu para Ação Externa, Stefano Sannino. (ANSA).

   

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