Fauci pede à China prontuários de pesquisadores de Wuhan

EUA querem descobrir origem exata do coronavírus Sars-CoV-2

Prédio do Instituto de Virologia de Wuhan, na China
Prédio do Instituto de Virologia de Wuhan, na China (foto: EPA)
14:03, 04 JunROMA ZLR

(ANSA) - O infectologista Anthony Fauci, principal conselheiro do governo dos Estados Unidos para o combate à pandemia do novo coronavírus, cobrou da China a divulgação dos prontuários médicos de nove pessoas que tiveram sintomas similares aos da Covid-19 antes do início da crise sanitária.

A notícia chega em meio à divulgação de relatórios que apontam que seis mineiros adoeceram ainda em 2012 e que três pesquisadores do Instituto de Virologia de Wuhan apresentaram sintomas em 2019, após uma visita a uma caverna de morcegos na província de Yunnan.

"Gostaria de ver os prontuários das três pessoas que teriam ficado doentes em 2019. Elas realmente adoeceram e, em caso positivo, o que elas tiveram?", disse Fauci ao jornal britânico Financial Times. "A mesma coisa com os mineiros que adoeceram anos atrás. O que os prontuários dessas pessoas dizem?", questionou.

Segundo o infectologista, é "totalmente concebível" que o Sars-CoV-2, causador da Covid-19, tenha surgido naquela caverna e "começado a se espalhar naturalmente ou tendo passado pelo laboratório".

Apesar disso, Fauci já reiterou inúmeras vezes que acredita que o salto de espécie do vírus para o ser humano tenha ocorrido de maneira natural.

A China rechaça a tese de que o Sars-CoV-2 tenha escapado do Instituto de Virologia de Wuhan e diz que o laboratório não havia sido exposto ao coronavírus até 30 de dezembro de 2019.

"Esperamos que os EUA adotem uma postura científica e cooperativa, assim como a China, que convidou especialistas da OMS para realizarem pesquisas sobre a origem do vírus", disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês.

Uma equipe da Organização Mundial da Saúde visitou o instituto de Wuhan no início de fevereiro e publicou um relatório afirmando que a hipótese de fuga de laboratório é "extremamente improvável", mas o documento é contestado porque a China não deu plena liberdade para os pesquisadores.

Atualmente, a hipótese mais aceita é de que o Sars-CoV-2 tenha se originado em morcegos e feito o salto de espécie para o ser humano por meio de um animal intermediário.

No fim de maio, o presidente dos EUA, Joe Biden, deu 90 dias para os serviços de inteligência entregarem um relatório sobre a possível origem do novo coronavírus. (ANSA)

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