Conselho Europeu descarta reunião de cúpula com Putin

Países nórdicos e bálticos se opuseram ao encontro

Países-membros não entraram em acordo sobre reunião de cúpula com governo da Rússia
Países-membros não entraram em acordo sobre reunião de cúpula com governo da Rússia (foto: EPA)
11:41, 25 JunBRUXELAS ZGT

(ANSA) - Os líderes dos 27 países-membros da União Europeia não chegaram a um consenso e rejeitaram um encontro de cúpula com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, na reunião do Conselho Europeu nesta sexta-feira (25).

A oposição foi liderada por Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, Suécia e Países Baixos. A decisão foi lamentada pela Alemanha e Itália - e até mesmo por Moscou.

"Conversar [com Putin] seria uma expressão de soberania para a União Europeia. Que o presidente Putin não é um parceiro fácil, é claro para todos nós. Mas, precisamos encontrar formatos nos quais a UE dialogue com a Rússia. Não vejo aqui a ideia de que essas conversas com Putin como uma questão de conceder uma recompensa ou algo assim", disse a chanceler alemã, Angela Merkel, visivelmente contrariada com a decisão.

Para a líder alemã, que está próxima a deixar sua função como chanceler, o bloco europeu precisava "representar seus interesses" de maneira similar ao que fez o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, no dia 16 de junho, quando se reuniu com Putin.

Quem também lamentou a decisão foi o primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, que disse apoiar a proposta do encontro formal.

"A discussão sobre a Rússia foi longa e controversa, substancialmente, chegou como surpresa para muitos. Mas, a tentativa foi feita e eu apoiava a necessidade de que andássemos com o encontro também porque, ao invés de ter dúvidas sobre a própria potência, os países europeus devem ser orgulhosos da manifestação de força que existe quando todos falam juntos", disse o premiê italiano.

Segundo Draghi, "como muitos se opuseram, agora vamos ver se conseguimos fazer uma reunião com Moscou".

Do lado dos que rejeitaram a cúpula, o primeiro-ministro dos Países Baixos, Mark Rutte, afirmou que "enquanto a Europa for um jogador e não um campo de jogo, nós precisamos manter o diálogo com a Rússia", mas que a ideia de "fazer um convite para [Putin] vir a Bruxelas, isso seria uma recompensa e seria ir muito além".

Em nota, o governo da Rússia disse que "lamentava" a decisão do Conselho Europeu de não realizar a reunião de alto nível.

"Infelizmente, fomos informados que um certo número de países se opôs a esse diálogo de cúpula. Sabemos que se trata, sobretudo, dos países considerados 'jovens europeus', como os países bálticos e a Polônia. Nós lamentamos que isso aconteceu", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, à agência local Tass.

Porém, o representante afirmou que o presidente "continua interessado em estabelecer uma relação de trabalho entre Moscou e Bruxelas". "A posição conceitual do presidente Putin, segundo a qual estamos dispostos a ir tão longe nas relações quanto nossos homólogos quiserem, continua a ser interessante e Putin repetiu isso diversas vezes", acrescentou.

A proposta de reunião entre UE e Rússia foi colocada na mesa por Alemanha e França como uma tentativa de melhorar as relações bilaterais, que estão se deteriorando rapidamente desde 2014 e que pioraram no último ano com a implementação de uma série de sanções políticas e econômicas. (ANSA).
   

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