Ataque a tiros mata presidente do Haiti em residência oficial

Martine e Jovenel Moise na cerimônia de posse do presidente, em fevereiro de 2017 (foto: EPA)
15:52, 07 JulPORTO PRÍNCIPE ZLR

(ANSA) - O presidente do Haiti, Jovenel Moise, foi assassinado por um comando armado dentro de sua própria casa na manhã desta quarta-feira (7).

A morte do chefe de Estado foi anunciada pelo primeiro-ministro interino Claude Joseph, que disse ter assumido o controle provisório do país e pediu "calma" à população.

"O presidente foi assassinado em sua casa por estrangeiros que falavam inglês e espanhol", afirmou Joseph, garantindo que a polícia e o Exército vão manter a ordem. "A situação está sob controle", disse.

A imprensa local chegou a anunciar que a primeira-dama Martine Moise também havia morrido, mas o embaixador do Haiti na República Dominicana, Smith Augustin, desmentiu a notícia e disse que ela está em "estado grave", porém viva. Martine pode ser transferida em breve para um hospital no exterior.

Originário do mundo empresarial, Moise tinha 53 anos de idade e governava o Haiti, país mais pobre das Américas, desde fevereiro de 2017. No entanto, ele vinha exercendo o cargo por decreto após o adiamento das eleições legislativas previstas para 2018 e em meio a uma disputa sobre quando termina seu mandato.

Moise alegava que seu período no poder terminaria apenas em fevereiro de 2022, cinco anos após sua posse. O empresário havia vencido o primeiro turno das eleições em outubro de 2015, porém o pleito acabou anulado e repetido em novembro de 2016, quando Moise obteve 55,6% dos votos, conquistando o cargo sem necessidade de segundo turno.

No entanto, forças de oposição defendiam que o mandato do chefe de Estado terminou em fevereiro de 2021, já que o período de cinco anos contaria a partir de fevereiro de 2016, quando Jocelerme Privert assumiu como presidente interino para guiar o país até novas eleições.

Em fevereiro passado, Moise chegou a denunciar uma tentativa de golpe de Estado e a prender mais de 20 pessoas suspeitas de envolvimento no levante.

O mandatário teve uma série de primeiros-ministros ao longo dos últimos quatro anos, e o próprio Joseph seria substituído nesta semana, após três meses no cargo, por Ariel Henry, que teria a incumbência de organizar eleições gerais.

O Haiti também tem previsto para setembro um referendo sobre uma reforma constitucional que abole o cargo de primeiro-ministro, instituindo um sistema presidencialista pleno, e abre a possibilidade de o chefe de Estado ter dois mandatos consecutivos - atualmente, é preciso respeitar um intervalo mínimo de cinco anos.

A reforma era apoiada por Moise, mas criticada por forças de oposição e organizações da sociedade civil. A atual Constituição haitiana, escrita em 1987, após o fim da ditadura de Jean-Claude Duvalier, o "Baby Doc", proíbe a realização de referendos para modificar a Carta Magna.

Além da crise política, o Haiti também vive uma epidemia de sequestros devido à crescente influência de gangues armadas e luta contra a pobreza crônica e recorrentes desastres naturais.

Estado de sítio

Horas após os assassinatos, o premiê Claude Joseph declarou estado de sítio no país, instrumento que suspende temporariamente os direitos e garantias dos cidadãos, além de submeter os outros poderes ao Executivo.

A decisão foi tomada durante uma reunião emergencial do Conselho de Ministros. O governo interino também ordenou o fechamento do aeroporto internacional de Porto Príncipe, capital do Haiti.

Os aviões que já viajavam para o país foram obrigados a voltar atrás ou a modificar sua rota. Uma aeronave da American Airlines, por exemplo, teve de retornar para Fort Lauderdale, nos Estados Unidos.

Já a companhia aérea haitiana Sunrise Airways cancelou todos os seus voos até "novo aviso".

ONU -

O Conselho de Segurança da ONU convocou para esta quinta-feira (8) uma reunião de emergência sobre a situação no Haiti, após o assassinato do presidente Jovenel Moise, informaram fontes diplomáticas.

O encontro foi marcado a pedido dos Estados Unidos e de outros países e será a portas fechadas. (ANSA)

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