Canadá nomeará oficial para caso sobre covas indígenas

Mais de 1,2 mil túmulos foram descobertos em províncias do país

Mais de 1,2 mil túmulos foram descobertos em províncias do país (foto: ANSA)
18:47, 10 AgoOTTAWA ZCC

(ANSA) - O governo do Canadá anunciou nesta terça-feira (10) que nomeará um oficial independente para ajudar a localizar e proteger milhares de sepulturas não identificadas em antigos internatos para crianças indígenas.

A expectativa é de que o especialista, cuja identidade ainda não foi revelada, faça recomendações sobre a reforma de políticas e leis governamentais para lidar com erros históricos contra os povos indígenas.

No entanto, acredita-se que o oficial não terá poderes para processar o que a chefe da Assembleia das Primeiras Nações, RoseAnne Archibald, chamou de "crimes contra nossos filhos".

"Esta pessoa ajudará a traçar um caminho a seguir", disse o ministro da Justiça, David Lametti, em entrevista coletiva.

Segundo ele, o promotor especial trabalhará com as tribos indígenas e a Igreja Católica, bem como um comitê recém-criado de "conhecimento indígena".

Do século 19 até a década de 1970, pelo menos 150 mil crianças indígenas foram forçadas a frequentar as chamadas "escolas residenciais indígenas", uma rede financiada pelo governo canadense e administrada pela Igreja Católica, em uma campanha para assimilá-las à cultura dominante.

As crianças, porém, eram abusadas física e sexualmente por diretores e professores que os privavam de sua cultura e língua. A última escola fechou na década de 1990.

Recentemente, mais de 1,2 mil túmulos não identificados em terrenos de antigas escolas foram descobertos nas províncias de Colúmbia Britânica e Saskatchewan e sacudiram o Canadá.

Acredita-se que as investigações localizem mais covas tendo em vista que milhares de crianças são estimadas como mortas, no que a comissão de inquérito definiu como "genocídio cultural".

O Vaticano nunca se desculpou pelo tratamento dispensado a crianças indígenas. No entanto, o papa Francisco anunciou que receberá em dezembro uma delegação de povos indígenas do Canadá.
(ANSA)

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