Sessão da CPI com Ricardo Barros é interrompida após confusão

Líder na Câmara insinuou que CPI atrapalha compra de vacinas

Oitiva da CPI com Ricardo Barros foi interrompida após bate boca
Oitiva da CPI com Ricardo Barros foi interrompida após bate boca (foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
14:10, 12 AgoSÃO PAULO ZGT

(ANSA) - A sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) desta quinta-feira (12) com o deputado Ricardo Barros (PP-PR) foi interrompida antes do horário por conta de "ofensas" ditas pelo líder do governo na Câmara dos Deputados. 

Desde os primeiros minutos, o clima foi marcado por tensão e tropa de farpas. O deputado foi convocado por ter sido citado por outro deputado, Luís Miranda (DEM-DF), como alguém que estivesse praticando irregularidades no contrato de compra da vacina indiana Covaxin, no valor de R$ 1,6 bilhão.

O nome de Barros teria sido citado pelo próprio presidente Jair Bolsonaro em uma reunião com Miranda e seu irmão, Luís Ricardo Miranda, que é servidor de carreira do Ministério da Saúde. Os dois relataram que apresentaram a Bolsonaro provas de um pedido feito fora do contrato, com o pagamento antecipado da vacina produzida pela Bharat Biotech, em venda intermediada pela Precisa Medicamentos.

O presidente nunca negou as denúncias feitas pelos irmãos Miranda, mas Barros disse que isso é uma mentira em uma "narrativa" criada pela CPI contra ele.

"Muitos aqui já foram vítimas de linchamento moral. Todos os convocados por vocês negaram qualquer ligação comigo. Espero que esse mal-entendido que eu teria participado dessa intermediação com a Covaxin fique esclarecido de uma vez por todas", disse no início do depoimento.

De acordo com o deputado, "o presidente nunca afirmou e não tinha como desmentir o que ele não afirmou. Eu acho correto que o presidente não se dirija ao deputado Luís Miranda, porque o deputado Luís Miranda fez uma quebra de confiança no relacionamento com o presidente". "Aí, para confirmar essa narrativa que não é verdadeira, foram tentando criar fatos que me envolvessem", pontuou.

Barros também voltou a atacar a Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa), sobre a qual ele tentou passar um projeto para atropelar a autoridade na aprovação das vacinas anti-Covid, e disse que a Agência "atrasa" as entregas e exige muitos documentos.

Ele também culpou a Anvisa por outro caso, quando era ministro da Saúde e houve uma compra com a Global Medicamentos que nunca foi entregue - causando uma dívida não paga de R$ 20 milhões. A Precisa e a Global têm os mesmos sócios.

Por diversas vezes, houve bate boca e a sessão chegou a ser suspensa para acalmar os ânimos pelo presidente Omar Aziz (PSD-AM). No entanto, no início da tarde, o clima esquentou de vez quando Barros disse que torcia para que a CPI "trouxesse algo de bom para o país porque até agora só atrapalhou" já que " afastou empresas interessadas em vender vacina ao Brasil".

Nesse momento, houve um alvoroço e a senadora Simone Tebet (MDB-MS) alçou o tom e disse que "não era verdade", que a CPI começou justamente para investigar se houve "omissão dolosa" do governo.

Humberto Costa (PT-PE) também se manifestou e disse que "nós impedimos que houvesse roubo, que ganhassem dinheiro com vacina, foi isso que nós impedimos".

Com as discussões no mais alto tom, Aziz interrompeu a oitiva, disse que a CPI está impedindo que "vocês do governo tirem proveito" da negociação das vacinas, e decretou o fim antecipado da sessão. No entanto, cerca de 40 minutos depois, houve um acordo para a retomada da sessão. (ANSA).
   

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