Sair do Afeganistão é 'erro histórico', diz ex-premiê da Itália

Renzi afirmou que a retirada ocidental pode 'custar caro'

Matteo Renzi (ao centro) em visita à base de Herat, no Afeganistão, em 2015
Matteo Renzi (ao centro) em visita à base de Herat, no Afeganistão, em 2015 (foto: ANSA)
08:29, 13 AgoROMA ZLR

(ANSA) - O senador e ex-primeiro-ministro da Itália Matteo Renzi afirmou nesta sexta-feira (13) que a retirada de tropas ocidentais do Afeganistão é um "erro histórico" que pode custar caro no futuro.

A declaração chega em meio ao rápido avanço do grupo fundamentalista islâmico, que já conquistou 15 das 34 capitais de província afegãs e está a menos de 150 quilômetros de Cabul.

"Tenho grande respeito pelas escolhas da aliança, mas deixar o Afeganistão nas mãos dos talibãs é um erro histórico pelo qual arriscamos pagar caro. Sei que não é um post que alguém gostaria de ler em Ferragosto [principal feriado de verão na Itália, em 15 de agosto], mas a luta contra o terrorismo não acabou", disse Renzi no Twitter.

A ofensiva do Talibã ganha corpo apenas poucos meses depois do início da retirada das tropas dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que não conseguiram treinar as forças locais para lidar com o grupo fundamentalista após a invasão americana de 2001.

Uma das capitais já conquistadas pelo Talibã é Herat, que até junho abrigava uma base da Otan chefiada por militares da Itália. Renzi foi primeiro-ministro entre fevereiro de 2014 e dezembro de 2016 e chegou a visitar a base de Herat, em junho de 2015.

"Temos o dever de concluir uma transição para a liberdade e a paz do Afeganistão", disse o ex-premiê na ocasião. Já o atual primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, que é apoiado por Renzi, conversou por telefone com o ministro das Relações Exteriores, Luigi Di Maio, para discutir a crise afegã.

Ambos têm evitado declarações públicas sobre o avanço do Talibã, mas ressaltaram a importância de garantir a segurança do pessoal da embaixada italiana em Cabul, cidade que arrisca cair nas mãos do grupo nos próximos meses. (ANSA)

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