Secretário-geral da ONU pede fim de ofensiva do Talibã no Afeganistão

Grupo já conquistou 15 das 34 capitais de província do país

Talibã já conquistou 15 das 34 capitais de província do país (foto: EPA)
17:02, 13 AgoNOVA YORK ZCC

(ANSA) - O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, pediu nesta sexta-feira (13) para o grupo fundamentalista islâmico Talibã parar imediatamente sua ofensiva no Afeganistão e iniciar "sérias negociações".

Em declaração à imprensa na sede da ONU, o diplomata português alertou que a situação no "Afeganistão está saindo de controle" e "somente um acordo político negociado de boa fé pode garantir a paz".

"A mensagem da comunidade internacional para aqueles em pé de guerra deve ser clara: tomar o poder por meio da força militar é uma proposta perdida. Isso só pode levar a uma guerra civil prolongada ou ao isolamento completo do Afeganistão", disse.

Segundo Guterres, "só no último mês, mais de mil pessoas foram mortas ou feridas por ataques indiscriminados a civis, particularmente nas províncias de Helmand, Kandahar e Herat".

"Os combates entre o Talibã e as forças de segurança afegãs em ambientes urbanos estão causando enormes danos. Pelo menos 241 mil pessoas foram forçadas a fugir de suas casas, as necessidades humanitárias estão crescendo a cada hora, os hospitais estão transbordando, os suprimentos de alimentos e remédios estão diminuindo, as estradas, pontes, escolas, clínicas e outras infraestruturas críticas estão sendo destruídas", explicou ele.

Por fim, o secretário-geral da ONU "exortou todas as partes a prestarem atenção ao pesado tributo do conflito e seu impacto devastador sobre os civis" e lembrou que "conduzir ataques a civis é uma grande violação do Direito Internacional Humanitário e um crime de guerra".

Depois da retirada das tropas dos EUA e da Otan do Afeganistão, o grupo fundamentalista islâmico segue avançando no país asiático e já conquistou 15 das 34 capitais de província. Hoje, anunciou que vai garantir "anistia geral" para quem colaborou com o atual governo da nação e que não vai "tocar" em diplomatas estrangeiros.

Apesar disso, os Estados Unidos destacaram que estão "prontos para evacuar milhares de pessoas por dia". "Se necessário, ajustaremos o prazo de retirada do Afeganistão para permitir que os americanos sejam evacuados do país", disse o porta-voz do Pentágono, John Kirby.

O americano não explicou se as tropas enviadas serão designadas para um papel de combate, mas afirmou que elas "vão para uma missão perigosa e têm o direito de legítima defesa".

"No momento, Cabul não está sob uma ameaça iminente. Parece antes que o Talibã quer isolar a capital do Afeganistão", disse Kirby, acrescentando que se surpreendeu com a falta de resistência das forças de segurança afegãs.

O chanceler espanhol, José Manuel Albares, por sua vez, anunciou nesta tarde o início de uma operação de evacuação dos espanhóis que estão no Afeganistão.

Segundo nota do Ministério das Relações Exteriores da Espanha, os afegãos que trabalham para o país europeu também serão retirados do território. Entre eles estão alguns funcionários da embaixada espanhola.

Albares "está muito preocupado" com o avanço do Talibã e ressaltou que o governo não descarta a possibilidade de evacuar completamente a sede diplomática, porque não reconhecerá um governo imposto "pela força" no Afeganistão. (ANSA)

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