Talibã já tem 15 das 34 capitais de província do Afeganistão

Capital Cabul pode cair em menos de 90 dias

Afegãos acompanham entrada de militantes do Talibã em Kandahar
Afegãos acompanham entrada de militantes do Talibã em Kandahar (foto: EPA)
08:32, 13 AgoCABUL ZLR

(ANSA) - O grupo fundamentalista islâmico Talibã segue avançando no Afeganistão após a retirada das tropas dos EUA e da Otan e conquistou nesta sexta-feira (13) a 15ª das 34 capitais de província no país asiático.

Trata-se de Lashkar Gah, capital da província de Helmand, que se junta a outras cidades importantes como Kandahar, segunda maior do Afeganistão, e Herat, que até junho abrigava uma base italiana integrante da missão da Otan.

O Talibã instituiu um cessar-fogo de 48 horas em Lashkar Gah para permitir a evacuação de militares e de funcionários do governo. "Neste momento, 15 províncias estão sob nosso controle total", disse à ANSA o porta-voz do grupo islâmico, Zabihullah Mujahid.

"Os talibãs estão avançando em muitas áreas, e as províncias de Zabul, Uruzgan, Logar e Maidan Wardak serão conquistadas em breve", acrescentou. O grupo já está a menos de 150 quilômetros da capital Cabul, que, segundo fontes militares dos EUA, deve cair em até 90 dias.

O Talibã já comandou o Afeganistão de 1996 a 2001, até ser derrubado pela invasão americana - Washington acusava o grupo de dar proteção a Osama bin Laden, mentor dos atentados de 11 de setembro.

No entanto, em duas décadas de presença militar no país, os EUA não conseguiram preparar as forças de segurança locais para lidar com o Talibã por conta própria.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), o preço da ofensiva está sendo pago novamente por mulheres e crianças. "Cerca de 80% dos quase 250 mil afegãos obrigados a fugir desde o fim de maio são mulheres e crianças", disse a porta-voz do Acnur, Shabia Mantoo, em Genebra.

Considerando desde o início do ano, cerca de 400 mil civis já foram forçados a abandonar suas casas, em um país que em 2020 já contabilizava 2,9 milhões de deslocados internos. (ANSA)

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