Talibã chega a Cabul e defende 'rendição pacífica' de governo

Grupo fundamentalista islâmico cercou a capital do Afeganistão

Grupo fundamentalista islâmico cercou a capital do Afeganistão (foto: EPA)
11:03, 15 AgoJALALABAD ZCC

(ANSA) - A ofensiva militar do grupo fundamentalista islâmico Talibã no Afeganistão chegou neste domingo (15) na capital Cabul e defendeu uma rendição pacífica do governo afegão.

Em comunicado, divulgado pelo porta-voz Zabihullah Mujahid, os rebeldes pediram calma na cidade e ofereceram garantias aos moradores porque desejam "assumir o controle pacificamente".

Segundo Mujahid, citado pela agência Reuters, o grupo está "garantindo a todos os bancos, empresas e casas de câmbio que estarão seguros e protegidos sob o Talibã e que ninguém tocará ou incomodará ninguém em Cabul".

"Todas as pessoas ricas, os empresários, devem estar seguros e protegidos. Nenhum dos combatentes do Talibã tem permissão de ir a qualquer casa ou fazer buscas em empresas. O Emirado Islâmico lhes dá proteção total e eles devem seguir seguros e sem preocupações", acrescentou o porta-voz.

As autoridades da presidência do Afeganistão e residentes de Cabul relataram que disparos foram ouvidos em algumas partes da capital. No entanto, o gabinete do governo disse que as forças de segurança mantêm a situação controlada.

Negociadores do Talibã dirigiram-se ao palácio presidencial para conseguir uma transferência pacífica de poder. O ministro interino do Interior afegão, Abdul Sattar Mirzakwal, por sua vez, garantiu que a capital não será atacada e que haverá uma "transferência pacífica de poder".

"Os afegãos não precisam se preocupar, não haverá ataque", disse o ministro em um vídeo. "Haverá uma transferência pacífica de poder para um governo de transição".

De acordo com fontes diplomáticas, citadas pela imprensa internacional, será o ex-ministro do Interior afegão e ex-embaixador na Alemanha, Ali Ahmad Jalali, quem chefiará o governo de transição após a renúncia do presidente Ashraf Ghani.

O Talibã também garantiu ter reivindicado o controle da base aérea e da prisão militar de Bagram, nos arredores de Cabul. O local foi a principal penitenciária das forças americanas durante anos.

A informação foi publicada no Twitter por Mujahid, que afirma que todos os presos foram libertados e encaminhados para um local seguro. A prisão de Bagram é considerada um símbolo da ocupação militar das forças internacionais no Afeganistão.

As tensões estão aumentando na capital depois que cidades importantes, incluindo Jalalabad e Mazar-i-Sharif, passaram a ser controladas pelo grupo nos últimos dias. Diversos países, incluindo Alemanha, Estados Unidos, Itália e Reino Unido, já anunciaram a retirada dos diplomatas de suas respectivas embaixadas em Cabul.

A Rússia, por sua vez, anunciou que não vai evacuar sua embaixada em Cabul, apesar da tomada iminente da cidade pelo Talibã. Já o porta-voz político do grupo, Suhail Shaheen, garantiu que o movimento garantirá a segurança da sede diplomática de Moscou.

"Temos boas relações com a Rússia e nossa política em geral é garantir as condições de segurança para o funcionamento da embaixada russa e de outras embaixadas", disse ele.

Enquanto isso, a Comissão de Defesa de Duma, a Câmara Baixa do Parlamento russo, pediu que o Afeganistão ficasse sob o controle do Conselho de Segurança da ONU. Moscou está trabalhando com outros países para realizar uma reunião de emergência do Conselho de Segurança, segundo Zamir Kabulov, funcionário do Ministério das Relações Exteriores, citado pelas agências russas.

Itália -

A Itália iniciou seu plano de evacuação do pessoal da embaixada italiana em Cabul e de outros compatriotas presentes no Afeganistão.

De acordo com o Estado-Maior de Defesa, "soldados do Comando de Operações Conjuntas, devidamente apoiados por elementos do Exército, chegarão à capital afegã a bordo de um KC767 da Força Aérea e terão a tarefa de dirigir e coordenar o retorno à pátria do pessoal diplomático, compatriotas e colaboradores afegãos".

Presidente afegão -

O presidente do Afeganistão, Asraf Ghani, teria deixado o país neste domingo(15) e foi para o Tajiquistão, informou a agência local Tolonews, citando fontes oficiais.

O escritório do mandatário deixou claro que não pode dizer nada por razões de segurança. No início do dia, o ministro da Defesa, Bismillah Mohammadi, afirmou que Ghani deu aos líderes políticos autoridade para resolver a crise no país.  (ANSA)

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