Chefe militar dos EUA se reuniu com talibãs em Doha

General pediu para o grupo não atacar aeroporto de Cabul

À direita, o cofundador do Talibã Abdul Ghani Baradar, também líder do escritório político do grupo em Doha
À direita, o cofundador do Talibã Abdul Ghani Baradar, também líder do escritório político do grupo em Doha (foto: EPA)
13:55, 16 AgoWASHINGTON ZLR

(ANSA) - O chefe do Comando Central dos Estados Unidos, general Kenneth McKenzie, se encontrou com representantes do Talibã em Doha, no Catar, no último domingo (15).

Segundo um oficial do Departamento de Defesa dos EUA, McKenzie pediu para o grupo fundamentalista islâmico não atacar o aeroporto internacional de Cabul, onde estão concentradas as operações de evacuação de americanos e cidadãos de outros países ocidentais.

O Pentágono não deu mais detalhes sobre o encontro. O aeroporto está cercado por militares dos EUA e do Reino Unido, mas ainda assim foi invadido por afegãos tentando conseguir um lugar nos aviões de evacuação. Alguns deles chegaram a se pendurar nos trens de pouso das aeronaves.

Devido ao caos, todos os voos civis e militares no aeroporto de Cabul foram suspensos. O Talibã reconquistou o Afeganistão após a retirada das tropas americanas e da Otan e quase não enfrentou resistência do Exército afegão.

Não houve combate para retomar Cabul, e o agora ex-presidente Ashraf Ghani fugiu de avião antes da chegada do grupo fundamentalista. O Talibã agora trabalha na formação de um novo governo e já recebeu sinais de colaboração de China e Rússia.

"Neste momento, enfrentamos um teste porque somos os responsáveis pela segurança das pessoas", afirmou o líder do gabinete político do grupo em Doha, mulá Abdul Ghani Baradar.

O Talibã já governou o Afeganistão de 1996 a 2001, quando foi derrubado pela invasão americana deflagrada após os atentados de 11 de setembro.

No entanto, apesar de 20 anos de ocupação, os EUA não conseguiram derrotar o grupo, que prega a aplicação radical da Sharia, a lei islâmica, especialmente contra as mulheres, que sob o regime talibã não podiam estudar e sequer sair de casa sem a companhia de um parente homem.

No último fim de semana, um porta-voz do grupo prometeu "respeitar os direitos das mulheres" e permitir seu acesso à educação, mas essa versão "moderada" do Talibã ainda é vista com ceticismo no mundo. (ANSA)

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