Autor de invasão, Bush expressa 'tristeza' por crise afegã

Ex-presidente ordenou ofensiva que derrubou o Talibã em 2001

Invasão ao Afeganistão ocorreu durante o governo de George W. Bush
Invasão ao Afeganistão ocorreu durante o governo de George W. Bush (foto: EPA)
14:23, 20 OutROMA ZLR

(ANSA) - Responsável pela invasão americana ao Afeganistão, o ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush afirmou nesta segunda-feira (16) que acompanha com "profunda tristeza" os "trágicos eventos" no país asiático.

O comunicado foi divulgado no dia seguinte à tomada da capital Cabul pelo grupo fundamentalista Talibã e em meio às cenas de desespero no aeroporto internacional da cidade, com afegãos inclusive se pendurando em trens de pouso de aviões para conseguir fugir.

"Laura e eu acompanhamos os trágicos eventos no Afeganistão com profunda tristeza. Nossos corações estão com o povo afegão, que tanto sofreu, e com os americanos e os aliados na Otan, que tanto se sacrificaram", diz a nota publicada pelo Centro Presidencial George W. Bush.

O republicano era o presidente dos EUA quando o país decidiu invadir o Afeganistão, em 2001, para derrubar o regime do Talibã, acusado de dar proteção aos autores dos atentados de 11 de setembro.

A invasão americana conseguiu destituir o grupo fundamentalista, mas, em 20 anos de ocupação, não foi capaz de derrotá-lo de forma definitiva. A recente ofensiva do Talibã durou apenas poucas semanas e quase não enfrentou resistência do Exército afegão, financiado, armado e treinado pelos EUA e pela Otan.

Apesar disso, Bush diz que permanece "otimista". "Assim como nosso país, o Afeganistão também é feito de um povo vibrante e resiliente. Quase 65% da população tem menos de 25 anos. Suas escolhas por oportunidades, educação e liberdade também vão determinar o futuro do Afeganistão", afirma.

A nota, no entanto, não faz referência aos resultados dos 20 anos de ocupação americana no país asiático, que foi reconquistado pelo Talibã poucas semanas depois da retirada das tropas dos EUA e da Otan.

Em discurso à nação na última segunda-feira, o presidente Joe Biden admitiu que o rápido avanço dos extremistas o pegou de surpresa, mas defendeu a retirada e disse que não vai passar a guerra mais longeva da história dos EUA para seu sucessor.

"Os americanos não podem e não devem lutar e morrer em uma guerra em que os próprios afegãos não querem lutar", disse Biden.

Segundo um balanço feito pelo Instituto Watson de Relações Públicas e Internacionais, da Universidade Brown, nos EUA, o conflito no Afeganistão deixou mais de 170 mil mortos, sendo que cerca de 113 mil eram civis, militares ou policiais afegãos. (ANSA)

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