UE exige que Talibã respeite direitos para evitar crise humanitária

UE exige que Talibã respeite direitos para evitar crise humanitária (foto: EPA)
18:02, 17 AgoBRUXELAS ZCC

(ANSA) - A União Europeia realizou uma reunião de emergência nesta terça-feira (17), para debater a situação no Afeganistão após a invasão do Talibã e tentar evitar uma crise humanitária e um desastre migratório.

O encontro virtual reuniu os ministros das Relações Exteriores da UE e discutiu alguns pontos principais, entre eles como dar uma resposta ao novo governo afegão e como lidar com uma possível crise migratória que pode ocorrer em decorrência dos recentes acontecimentos.

O bloco apelou à "cessação imediata de toda a violência, ao restabelecimento da segurança e ordem civis e à proteção e respeito pela vida, dignidade e propriedade dos civis em todo o Afeganistão".

"A União Europeia prestará particular atenção aos afegãos, cuja segurança pode agora estar em perigo por causa do empenho pelos nossos valores comuns", disseram os ministros, expressando "profunda preocupação com relatos de graves violações e abusos dos direitos humanos".

Após a cúpula, o alto representante da política externa da UE, Josep Borrell, disse que o bloco só irá cooperar com o Talibã se o grupo respeitar os direitos fundamentais, inclusive das mulheres, e impedir que terroristas utilizem o território afegão.

"A cooperação com qualquer governo afegão futuro será condicionada por um acordo pacífico e inclusivo e o respeito pelos direitos fundamentais de todos os afegãos, inclusive mulheres, jovens e pessoas pertencentes a minorias, além do respeito pelas obrigações internacionais do Afeganistão, o compromisso com a luta contra a corrupção e evitar que organizações terroristas usem o território do Afeganistão", disse Borrell em comunicado.

Segundo o representante da UE, o primeiro objetivo é garantir a evacuação de seu pessoal, dos afegãos que trabalharam para os países do bloco e dos que querem sair do país. "Não podemos abandoná-los, vamos fazer todo o possível para lhes dar abrigo".

Borrell também afirmou que, diante do agravamento da situação no Afeganistão, a União Europeia continuará a prestar ajuda humanitária ao país.

"A UE pede ao Talibã que respeite suas obrigações conforme a lei internacional em todas as circunstâncias. A UE também ajudará os vizinhos do Afeganistão a lidarem com os desdobramentos negativos, que são esperados devido ao fluxo crescente de refugiados e imigrantes", acrescentou.

O chanceler italiano, Luigi Di Maio, por sua vez, lembrou que, como Ocidente, "não se pode eximir de uma reflexão aprofundada sobre os erros cometidos e sobre as lições a serem aprendidas com a intervenção de 20 anos no Afeganistão". "Agora, porém, é necessário definir uma estratégia compartilhada".

"Estamos cientes de que a procura de acolhimento de refugiados e migrantes do Afeganistão vai aumentar. Por isso, é necessário que a UE desenvolva uma resposta comum, também neste caso em estreita colaboração com os parceiros da região, a quem será simultaneamente garantido o apoio necessário", disse Di Maio.

Mais cedo, um porta-voz da Comissão Europeia já havia ressaltado que a "prioridade é a evacuação dos afegãos que trabalharam para os países da UE", mas o trabalho agora é para "uma abordagem abrangente" que "forneça uma forma legal e segura, incluindo os riscos de imigração ilegal".

"São elementos que têm de ser discutidos a nível político nos próximos dias", afirmou o porta-voz, explicando que a comissária para Assuntos Internos, Ylva Johansson, se reunirá com o comissário da ONU para refugiados, Filippo Grandi. (ANSA)

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA