Meninas afegãs voltam para escola em Herat e pedem por paz

Apesar do Talibã, vida voltou 'ao normal' na cidade

Apesar do Talibã, jovens puderam voltar às aulas em Herat (foto: EPA)
14:41, 18 AgoROMA Por Stefano Intreccialagli

(ANSA) - Usando hijabs brancos e túnicas pretas, as meninas estudantes se apressam pelos corredores e conversam durante o recreio em Herat, no Afeganistão, como se o caos provocado pelo retorno ao poder dos fundamentalistas do Talibã nunca tivesse existido.

As meninas voltaram para as escolas na cidade, felizes por poderem continuar a estudar. Uma cena que muitos acreditavam inimagináveis com o retorno dos extremistas ao poder.

Mas, desde domingo (15), quando tomaram Cabul, os talibãs tentam mostrar ao mundo que estão mais "progressistas" do que nos anos 1990, quando impuseram uma versão rígida da lei islâmica (sharia).

Dessa vez, eles prometeram mais direitos para as mulheres. Dizem que a burca (a vestimenta que cobre o corpo feminino dos pés à cabeça) não será mais obrigatória, que as jovens poderão estudar enquanto as mulheres poderão trabalhar "em conformidade com os princípios do Islã". Porém, o mundo segue vigilante e desconfiado.

Em um apelo comum, Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido e outros 18 países expressaram "um profunda preocupação com as mulheres e as jovens afegãs, com seus direitos de ensino e trabalho e à liberdade do movimento". E pediram que "aqueles que ocupam posições de poder e autoridades de todo o Afeganistão garantam a proteção delas".

As filmagens sobre o retorno às aulas das meninas de Herat foram feitas pelo correspondente da agência AFP, poucos dias depois da tomada da cidade por parte dos talibãs. "Queremos progredir como outros países e esperamos que os talibãs nos deem segurança. Não queremos guerra, queremos paz em nosso país", disse uma estudantes, Roqia, nas imagens.

A diretora local, Basira Basiratkha, disse querer ficar "cautelosamente otimista", ressaltando ser "grata a Alá" por poder reabrir a instituição rapidamente. Próxima à fronteira com o Irã, Herat sempre foi uma cidade muito cosmopolita no Afeganistão quando comparada às regiões mais conservadoras. Com mulheres e jovens meninas que caminhavam mais livremente pelas ruas do que em outros locais, e frequentavam as escolas em quantidades maiores, é uma cidade reconhecida por sua arte e por sua poesia.

Mas, mesmo com o sinal positivo vindo de Herat, o futuro continua incerto para as mulheres no Afeganistão, onde cresce o medo pelo retorno da repressão dos direitos. Entre 1996 e 2001, elas não podiam trabalhar ou estudar, eram obrigadas a usar burca e eram proibidas de sair de casa sem um homem. E, para acusações de crimes como adultério, elas eram chicoteadas ou apedrejadas até a morte.

Na primeira coletiva de imprensa dos talibãs em Cabul, o porta-voz Zabihullah Mujahid, afirmou que existirão "muitas diferenças" em relação ao passado. Em uma entrevista à "Sky News" em Doha, no Catar, outro representante dos fundamentalistas, Suhail Shaheen, insistiu no fato de que as meninas "poderão ter educação do jardim de infância às universidades".

Mas, as dúvidas permanecem porque os talibãs já quebraram promessas antes. E, desde esta terça-feira (17), as mulheres já trocaram as roupas nas ruas de Cabul. Saíram as calças e os vestidos "ocidentais" e voltaram os trajes afegãos shalwar kameez. (ANSA).
 

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