Ao lado de Merkel, Putin diz que quer evitar 'colapso' do Afeganistão

Líderes também debateram assuntos relacionados à Ucrânia

Merkel e Putin deram coletiva de imprensa sobre última reunião formal entre ambos (foto: EPA)
15:16, 20 AgoMOSCOU ZGT

(ANSA) - Após a última reunião oficial entre o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e a chanceler alemã, Angela Merkel, nesta sexta-feira (20), o líder russo defendeu que a comunidade internacional aja para impedir o "colapso" do Afeganistão.

"Os talibãs agora controlam a maior parte do país, incluindo Cabul, essa é a realidade e precisamos evitar a destruição do Estado afegão. Nós conhecemos o país muito bem e sabemos o quanto é contraproducente impor outros modelos estrangeiros no Afeganistão. Isso nunca aconteceu lá", disse Putin em uma referência não apenas aos Estados Unidos nos últimos 20 anos, mas também ao fracasso da então União Soviética na década de 1980.

O mandatário ainda afirmou que "não se pode impor o próprio estilo de vida sobre outros povos porque cada um têm suas tradições". "E essa é a lição que temos que tirar quando vemos o que aconteceu no Afeganistão. De agora em diante, que seja padrão respeitar as diferenças porque ninguém pode exportar a sua democracia para quem quer ou quem não quer", disse em nova alfinetada nos EUA.

Merkel, por sua vez, ressaltou que pediu que Putin "exerça a sua influência no diálogo com o Talibã". "Eu pedi que ele se faça presente para os talibãs porque sobre as questões humanitárias é mais fácil uma colaboração se deixaram que as forças locais de quem nos ajudou sair do país", pontuou a chanceler, que ressaltou que é "frustrante, mas é a realidade" aceitar que o grupo fundamentalista voltou ao poder.

Ainda no campo das relações internacionais, Merkel e Putin discutiram sobre a questão da Ucrânia, talvez, o principal assunto no campo mundial que a chanceler não conseguiu resolver politicamente antes de sair do poder. A líder alemã, inclusive, viaja para se reunir com o presidente ucraniano, Volodomyr Zelensky, no próximo domingo (22).

"O formato Normandia é o único caminho. Meu conselho é manter vivos as negociações pela paz, mesmo se os passos que forem dados adiante não sejam tão rápidos como desejamos", disse lembrando das negociações que causaram uma trégua no conflito bélico, mas não na crise política e no clima tenso.

Por sua vez, Putin voltou a acusar o novo governo de Kiev de "ter renunciado" à solução pacífica e disse que fez um apelo para Merkel "fazer pressão" em Zelensky para que ela o convença a "cumprir sua parte" nos acordos de Minsk.

Os dois ainda abordaram a questão envolvendo o opositor político Alexei Navalny, que está preso desde o início de janeiro. Esta sexta marca um ano do envenenamento do advogado, em que alemães acusam o governo russo de estar por trás do crime e Putin nega.

Merkel afirmou que cobrou a libertação do opositor, enquanto o presidente russo disse que Navalny "não foi preso por sua "atividade política", mas sim por violar a lei.

Assuntos bilaterais

Os dois líderes também sobre o gasoduto Nord Stream 2, uma construção polêmica por conta do atrito que causou com os EUA, mas que Merkel levou adiante.

Na coletiva, Putin disse que a Europa não tem uma fonte de energia mais confiável "do que o gás russo" e assegurou que o país respeitará "plenamente" o acordo sobre a passagem de gás pela Ucrânia após a saída de Merkel do cargo.

O presidente ainda ressalto que a emissão durante a passagem do gás, que está quase pronto, "são duas vezes menores" do que o atual gasoduto usado através do território ucraniano.

Putin ainda afirmou que Merkel "será sempre bem-vinda" à Rússia, mesmo após deixar o cargo, o que ocorre no fim de setembro.

"Seremos sempre felizes em recebê-la. Obrigado pelos seus 16 anos de trabalho", finalizou. (ANSA).
   

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