De saída do governo, Merkel afirma: 'sou uma feminista'

Chanceler deu uma rara entrevista sobre sua vida

Merkel falou com jornalistas sobre assuntos pessoais e de seu governo em evento (foto: EPA)
19:12, 08 SetBERLIM ZGT

(ANSA) - De saída do governo após 16 anos de mandatos consecutivos, a chanceler alemã, Angela Merkel, deu uma rara entrevista aos jornalistas nesta quarta-feira (8) em que falou sobre posições mais pessoais e disse claramente que "é uma feminista".

A conversa ocorreu após um encontro com a escritora Chimamanda Ngozi Adichie, famosa por debater o assunto em suas obras e seus discursos.

"Essencialmente, [o feminismo] consiste em dizer que homens e mulheres são iguais, na sua participação na vida em sociedade, ao longo da vida. Neste sentido, posso agora dizer que sou uma feminista. Na minha opinião, a palavra feminismo está vinculada a um movimento específico que luta pela inserção desses problemas na agenda social", disse Merkel.

A mudança de postura é bastante clara já que, em 2017, a chanceler deu uma resposta mais vaga ao ser questionada se se considerava feminista. "Eu preciso dizer que antes eu era mais tímida no palco, mas eu refleti muito melhor - e acho que, nesse sentido, todos deveriam ser feministas", acrescentou.

Merkel também foi questionada se deixa a função, o cargo político mais importante da Alemanha, de consciência tranquila e se a sua "era" foi fechada. "Sim, eu acredito que dei a minha contribuição ao país", respondeu francamente.

A líder ainda disse que os piores momentos com que precisou lidar durante os mandatos foi a crise econômica na Grécia, que gerou diversas situações políticas complicadas para ela também na União Europeia, e também a crise do euro de 2008. E que uma das conquistas mais gratificantes foi a aprovação do bilionário Plano de Recuperação Econômica para o pós-pandemia. "Aí eu fui feliz", disse aos repórteres.

Ao ser questionada, citando uma célebre definição do jornal "The New York Times", de que era a "última líder do Ocidente livre", Merkel destacou que "é preciso evitar qualquer tipo de exagero porque, por sorte, há muitíssimas pessoas que se sentem ligadas à democracia e isso, obviamente, me deixa muito feliz".

Sobre a crise migratória, que atingiu o ápice no bloco europeu em 2015, Merkel foi perguntada sobre os motivos que a fizeram "abrir as portas" para milhões de refugiados. "Dizer para eles: atenção, deem meia volta e atravessem o Mediterrâneo? Não, isso para mim nunca poderia ser uma opção", afirmou.

A última pergunta foi sobre o que uma das pessoas mais poderosas do mundo vai fazer no futuro, assim que deixar o comando da Alemanha para o próximo político.

"Será que eu gostaria de escrever? De falar? Passear na natureza? Ficar em casa? Rodar o mundo? E, então, me fiz uma nova promessa: no início, não vou fazer nada e vou esperar o que vai vir. Essa é a perspectiva e eu acho isso fascinante", pontuou.

A Alemanha fará eleições no dia 26 deste mês e, apesar de não haver ainda uma indicação clara de quem será o sucessor, Merkel afirmou que deixaria o cargo. Analistas estimam que a posse do próximo ou próxima chanceler do país pode se arrastar até o fim do ano. (ANSA).
   

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