Scholz defende governo com verdes e liberais na Alemanha

Partido Social-Democrata venceu eleições de 26 de setembro

O vice-chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, abrirá negociações para formar governo
O vice-chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, abrirá negociações para formar governo (foto: EPA)
12:27, 27 SetBERLIM ZLR

(ANSA) - O vice-chanceler e ministro das Finanças da Alemanha, Olaf Scholz, declarou vitória nas eleições federais do último domingo (26) e disse que o povo expressou o desejo de ver um governo entre social-democratas, liberais e verdes.

"Uma coalizão social-ecológica-liberal tem sólidos pressupostos na história, e é isso que temos de fazer", afirmou Scholz, líder do Partido Social-Democrata (SPD), vencedor das eleições com 25,7% dos votos, segundo resultados oficiais preliminares.

Isso corresponde a 206 das 735 cadeiras no Parlamento, o que significa que o SPD precisará costurar alianças para formar um novo governo, processo que pode durar meses - até lá, Angela Merkel, da conservadora União Democrata-Cristã (CDU), segue no poder.

O segundo lugar nas eleições ficou com a própria CDU e seu braço na Baviera, a União Social-Cristã (CSU), que obtiveram 24,1% da preferência (196 assentos no Parlamento), quase nove pontos a menos que no pleito de 2017.

Já os Verdes saltaram de 8,9% para 14,8% (118 assentos), puxados pela crescente preocupação com a crise climática na juventude da Europa Ocidental, enquanto o Partido Democrático Liberal (FDP) passou de 10,7% para 11,5% (92 assentos).

A CDU já governa em aliança com o SPD, seu maior rival, desde 2013, mas Scholz deixou claro que não pretende reeditar essa grande coalizão. "Os eleitores expressaram sua vontade de modo claro: reforçaram SPD, verdes e liberais, e esses três devem guiar o novo governo", declarou o vice-chanceler em Berlim nesta segunda-feira (27).

O SPD já governou em aliança com o FDP entre 1969 e 1982, com Willy Brandt e Helmut Schmidt, e em coalizão com os Verdes entre 1998 e 2005, com Gerhard Schröder, mas nunca com os dois ao mesmo tempo.

"CDU e CSU não apenas perderam muitos votos, mas também receberam a mensagem dos eleitores de que agora não podem mais estar no governo, devem ir para a oposição", reforçou Scholz.

No entanto, apesar do otimismo do vice-chanceler, a fragmentação do Parlamento deve dificultar as negociações para a formação do governo, especialmente por causa das diferenças entre liberais e verdes.

Como envolver os dois partidos é a única forma de evitar a repetição da coalizão entre SPD e CDU, o próprio líder do FDP, Christian Lindner, já sugeriu começar as negociações com os próprios Verdes, e não com as duas legendas mais votadas. (ANSA)

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