Rússia nega ameaça de Belarus e garante fornecimento de gás à UE

Lukashenko queria usar gás russo como forma de chantagem

Migrantes estão há dias na fronteira entre Belarus e Polônia (foto: EPA)
09:43, 12 NovMOSCOU ZGT

(ANSA) - A Rússia afirmou nesta sexta-feira (12) que não há risco de interrupção de fornecimento de gás natural para a União Europeia por conta da crise de migrantes entre Belarus e Polônia. A afirmação vem após o presidente Aleksandr Lukashenko fazer ameaças contra o bloco.

"A confiabilidade da Rússia como fornecedora sob os atuais e futuros contratos não está em discussão", disse o porta-voz do presidente Vladimir Putin, Dmitri Peskov, em sua coletiva diária com a imprensa.

Questionado se concordava com a ameaça de Lukashenko, Peskov disse que o governo russo não apoiava a declaração.

Nesta quinta-feira (11), o mandatário deu uma entrevista polêmica para a agência estatal Belta. "Fornecemos calor para a Europa, e ainda mais agora que ameaçam fechar fronteiras. E se interrompermos o fornecimento de gás natural ali?", disse à mídia como referência aos cerca de 680 quilômetros de dutos da empresa russa Gazprom que passam pelo território de Belarus antes de chegar à Polônia.

A Rússia é a única grande aliada do país de Lukashenko que restou após as polêmicas eleições que culminaram com a vitória dele em agosto do ano passado. Para os europeus - tanto UE como Reino Unido - o pleito foi fraudado para manter o "último ditador" do continente no poder. Lukashenko é presidente desde 1994.

Com a crise na fronteira entre Polônia e Belarus, a Comissão Europeia anunciou que já está tramitando o sexto pacote de sanções políticas e econômicas contra os aliados do presidente.

Por conta disso, Lukashenko fez a ameaça tentando chantagear a UE.

Exercícios militares

Os Exércitos da Rússia e de Belarus informaram nesta sexta-feira (12) que estão realizando exercícios militares conjuntos não programados na parte ocidental do território bielorrusso, perto da área da fronteira com a Polônia. 

Em declaração, o Ministério da Defesa de Minsk informou que uma “unidade tática de paraquedistas dos dois países” está na área de Grodno. Já a agência russa Interfax afirmou que a ação se trata de “uma inspeção surpresa” sobre a preparação das tropas.

Voos bloqueados

Além de pedir para que a Rússia use sua "influência" sobre Lukashenko para barrar o envio de migrantes para a fronteira polonesa, a Comissão está trabalhando com governos e companhias aéreas para vetar voos de áreas afetadas por conflitos, como Síria e Iraque, para Minsk.

Nesta sexta-feira, o órgão executivo informou que "todas as companhias aéreas contatadas condenaram a exploração de migrantes e garantiram o seu compromisso". "A Iraqi Airways anunciou que não voará mais para Minsk", acrescentou a porta-voz da Comissão, Dana Spinant, ressaltando que se alguma empresa não colaborar "será adicionada em nossa lista de restrição para sanções".

Quem também anunciou mudanças nesse sentido foi a Turkish Airlines, que começou a vetar que sírios e afegãos embarquem para voos para Minsk. Apenas serão admitidos aqueles que apresentarem passaporte diplomático.

A companhia aérea Belavia, que é de Belarus, informou que interromperá as escalas da Turquia para Minsk para cidadãos que venham da Síria, do Iraque e também do Iêmen.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, agradeceu o apoio do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e das autoridades da aviação do país que estão colaborando com a UE.

Nos últimos dias, o primeiro-ministro da Polônia, Mateusz Morawiecki, acusou o governo turco de apoiar a entrada clandestina de migrantes no país, o que foi rebatido com veemência por Erdogan. Chamando a fala de "bobagens" e uma "vergonha", o mandatário lembrou que seu país abriga mais de cinco milhões de refugiados sírios e iraquianos há anos e que não teria porque querer fazer algo contra os poloneses.

Os europeus acusam Lukashenko de forçar a saída de migrantes de seu território e impedir que essas pessoas voltem para seus locais de origem. Com isso, ele estaria querendo criar uma "crise" no bloco europeu. Além disso, há temores que Minsk esteja infiltrando possíveis terroristas entre as pessoas que buscam uma nova vida na Europa para provocar ataques em países do bloco.

Letônia

O Parlamento da Letônia aprovou nesta sexta uma "lei especial" que permite a "construção rápida de um muro na fronteira com Belarus", informa o site do órgão legislativo.

A medida foi aprovada com 72 votos a favor, uma decisão unânime entre os que comparecerem à votação.

Em agosto, o governo letão havia declarado estado de emergência por conta do aumento da chegada de migrantes de Belarus e, assim como ocorre na Polônia, Riga acusa Minsk de usar os deslocados como uma "arma política". (ANSA).

   

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