Rússia admite ter destruído satélite com ataque de míssil

EUA afirmaram que ação colocou Estação Espacial em risco

Satélite destruído pela Rússia estava em órbita desde 1982
Satélite destruído pela Rússia estava em órbita desde 1982 (foto: EPA)
12:27, 16 NovWASHINGTON ZRS

(ANSA) - O Ministério da Defesa da Rússia admitiu nesta terça-feira (16) que destruiu um de seus satélites em um teste de míssil, mas descartou as acusações dos Estados Unidos de que o lançamento do projétil colocou em perigo a Estação Espacial Internacional (ISS).

Em um comunicado, as autoridades russas notificaram o sucesso da missão para destruir um satélite que estava em órbita desde 1982. Além disso, os militares informaram que realizaram atividades planejadas para fortalecer suas capacidades defensivas, mas negaram que o teste fosse perigoso.

"Os Estados Unidos sabem, com certeza, que os fragmentos resultantes, em termos de tempo de teste e parâmetros orbitais, não representaram e não representarão uma ameaça para as estações orbitais, espaçonaves e atividades espaciais", comentaram.

Em uma entrevista coletiva, o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, negou que a Rússia tenha colocado a ISS em risco e acrescentou que "não há fatos" por trás das acusações feitas pelos norte-americanos.

"Declarar que a Federação Russa criou riscos para o uso pacífico do espaço é, no mínimo, hipocrisia", comentou Lavrov.

As autoridades dos Estados Unidos afirmaram que a missão russa foi "irresponsável" e comentaram que a destruição do satélite foi "perigosa". Segundo os americanos, a explosão criou uma nuvem de destroços e forçou a tripulação da ISS a tomar medidas evasivas.

Jens Stoltenberg, secretário-geral da Organização do Atlântico do Tratado Norte (Otan), descreveu a ação da Rússia como um ato "imprudente" e "preocupante".

"Isso demonstra que a Rússia está desenvolvendo novos sistemas de armas que podem derrubar satélites", disse Stoltenberg em uma reunião com ministros de Defesa da União Europeia (UE).

O chefe da Nasa, Bill Nelson, afirmou na segunda-feira (15) que estava "indignado" com a ação "irresponsável" e "desestabilizadora" efetuada pelos russos. Segundo as agências de notícias estatais da Rússia, o líder da Roscosmos, Dmitry Rogozin, deverá participar de uma reunião com oficiais da agência espacial norte-americana.

Já Florence Parly, ministra do Exército francês, chamou os russos de "vândalos espaciais" em suas redes sociais.

A Índia foi a última nação a realizar um teste semelhante, que aconteceu em 2019. O episódio foi muito criticado pelos Estados Unidos, pois a ação criou centenas de pedaços de "lixo espacial". (ANSA).
   

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