Naufrágio no Canal da Mancha deixa ao menos 31 migrantes mortos

Naufrágio no Canal da Mancha
Naufrágio no Canal da Mancha (foto: Ansa)
17:53, 24 NovPARIS ZCC

(ANSA) - Pelo menos 31 pessoas morreram nesta quarta-feira (24) no naufrágio de um barco de migrantes na costa de Calais, no Canal da Mancha, durante uma travessia da França para o Reino Unido, informaram fontes citadas pela TV BFM.

Segundo relatos, cerca de 40 migrantes embarcaram em uma balsa na costa francesa em direção ao território britânico. Até o momento, no entanto, não há confirmação de que seja o mesmo grupo naufragado.

Porém, de acordo com o Ministério do Interior da França, por volta das 14h (horário local), um pescador relatou a descoberta de cerca de 15 corpos flutuando ao largo da costa francesa, sendo pessoas "inconscientes ou mortas".

"Fortes emoções nos são jogadas na cara diante da tragédia de tantas mortes causadas pelo naufrágio de um barco de imigrantes no Canal da Mancha", escreveu, no Twitter, o ministro do Interior, Gerald Darmanin.

As autoridades da região abriram um inquérito para investigar as condições da travessia. Um navio da Marinha Nacional já recolheu vários corpos.

O primeiro-ministro francês, Jean Castex, classificou o ocorrido como "uma tragédia". "Os meus pensamentos estão com todos os desaparecidos e feridos, vítimas de contrabandistas criminosos que exploram o seu desespero", reagiu.

Dois helicópteros, botes salva-vidas, além da Guarda Costeira e da Marinha Nacional estão no local realizando a operação de resgate.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, inclusive, convocou com urgência um comitê para a gestão de emergências em resposta ao "massacre de migrantes".

Londres há algum tempo pede para Paris tomar medidas mais incisivas para conter o fluxo de barcos de contrabandistas que tentam chegar ao Reino Unido a partir da costa francesa. Nos últimos meses, a operação foi intensificada apesar dos acordos bilaterais cofinanciados pelos britânicos.

No último sábado, 243 migrantes que tentavam chegar à Inglaterra foram resgatados ao largo de Calais. De acordo com o jornal britânico Guardian, no dia 15 de novembro, cerca de 1,2 mil pessoas atravessaram o Canal da Mancha em 24 horas, um recorde histórico. Desde o começo do ano, 23 mil imigrantes fez a travessia, quase nove mil a mais do que em 2020. 

"A França não deixará o Canal da Mancha virar cemitério", afirmou o presidente francês, Emmanuel Macron, que estará em Roma amanhã (25) para a assinatura do Tratado do Quirinale com o premiê italiano, Mario Draghi.

Macron pediu um "reforço imediato dos meios da agência Frontex nas fronteiras externas da UE" e solicitou uma "reunião de emergência dos ministros europeus envolvidos no desafio da migração", garantindo que a França "fará tudo o que for necessário para encontrar e condenar os responsáveis". (ANSA).

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