Otan descarta criar zona de exclusão aérea na Ucrânia

Medida é um dos principais pleitos de Kiev ao Ocidente

Ministros da Otan durante reunião em Bruxelas
Ministros da Otan durante reunião em Bruxelas (foto: ANSA)
13:13, 04 MarBRUXELAS ZLR

(ANSA) - A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) descartou nesta sexta-feira (4) a hipótese de instituir uma zona de exclusão aérea sobre a Ucrânia.

Essa medida é um dos principais pleitos de Kiev ao Ocidente para conter os bombardeios russos, mas, na prática, poderia colocar a Otan em guerra contra Moscou, com efeitos potencialmente catastróficos para toda a Europa.

Após uma reunião ministerial em Bruxelas nesta sexta-feira, o secretário-geral da aliança militar, Jens Stoltenberg, disse que a zona de exclusão aérea foi mencionada durante o debate, mas ele deixou claro que "não há planos de operar no espaço aéreo ucraniano ou de enviar tropas".

"Entendemos o desespero dos ucranianos, implantamos as sanções mais duras da história, estamos instando Putin a interromper essa guerra, mas temos a responsabilidade de evitar uma escalada que vá além da Ucrânia", explicou.

Ainda antes da reunião, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Luigi Di Maio, já havia descartado a hipótese de uma zona de exclusão aérea na Ucrânia. "Isso envolveria a Otan diretamente e desencadearia um conflito com efeitos devastadores em toda a Europa", afirmou.

O ministro ucraniano das Relações Exteriores, Dmytro Kuleba, também participou da reunião por videoconferência e fez um alerta para a aliança ocidental. "Vocês podem pensar o quanto quiser sobre como evitar um confronto direto com a Rússia, mas se vocês não nos ajudarem agora, um confronto direto será inevitável porque vocês serão os próximos", avisou.

Por outro lado, a Otan decidiu reforçar a cooperação com Finlândia e Suécia, que foram ameaçadas pela Rússia na semana passada e não fazem parte da aliança militar. De acordo com Stoltenberg, os dois países participarão de todas as consultas da organização militar daqui em diante.

O secretário-geral prevê que o conflito piore nos próximos dias e denunciou ataques contra "escolas, hospitais, edifícios residenciais e centrais nucleares". "Os próximos dias provavelmente serão piores, com mais mortos e mais destruição", declarou.

A Otan também acusou a Rússia de usar bombas de fragmentação e elogiou a abertura de um inquérito no Tribunal Penal Internacional (TPI) sobre supostos crimes de guerra cometidos na Ucrânia.

Além disso, Stoltenberg admitiu que é preciso "fazer mais" para proteger Bósnia-Herzegovina, Geórgia e Moldávia, que "podem estar em risco de ataques por parte das Forças Armadas russas".

Geórgia e Moldávia, inclusive, já formalizaram nos últimos dias seus pedidos de adesão à União Europeia por temor de eventuais incursões da Rússia. (ANSA)

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