Orbán vence eleições, mas perde em referendo anti-LGBTQIA+

Premiê reeleito colocou presidente da Ucrânia como 'adversário'

Partido de Orbán foi o vencedor das eleições pela quarta vez seguida (foto: EPA)
11:12, 04 AbrBUDAPESTE ZGT

(ANSA) - A coalizão ultraconservadora Fidesz-KDNP, do premiê Viktor Orbán, venceu as eleições legislativas deste domingo (3) na Hungria e garantiu um quarto mandato consecutivo para o primeiro-ministro.

Segundo os resultados finais, divulgados na manhã desta segunda-feira (4), a coalizão obteve 53,1% dos votos (cerca de 2,8 milhões de cédulas), que representam 135 assentos no Parlamento.

Já o Aliança Unida pela Hungria, uma coalizão de oposição de várias vertentes políticas que tentou se unir para derrubar Orbán, obteve 35,04% (1,8 milhão de votos) e 56 assentos. Já o movimento de extrema-direita Movimento da Pátria teve 6,2% (300 mil votos) conquistou sete cadeiras. Os representantes da minoria de língua alemã levaram uma cadeira.

A afluência do pleito foi de 69,54%, menor do que nas últimas eleições.

Em seu discurso, Orbán afirmou que essa "foi uma grande vitória" e um "sinal que também Bruxelas vê". Além disso, o premiê colocou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, como um "dos adversários do meu governo", ao lado "da mídia internacional e dos burocratas de Bruxelas".

"Essa nossa quarta vitória consecutiva é a mais importante porque conquistamos o poder contra uma oposição que se aliou. Se aliaram e nós vencemos mesmo assim. Fidesz representa uma força conservadora patriótica e cristã. É o futuro da Europa. Hungria primeiro", disse Orbán lembrando o slogan "America's first" do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump.

Orbán sempre foi um aliado muito próximo da Rússia, mas foi forçado, pela invasão de Moscou no território ucraniano, a adaptar o discurso e se unir às condenações e sanções europeias contra a guerra. No entanto, recentemente, Zelensky fez um pronunciamento em que dizia que o premiê ultraconservador "precisava definir de que lado estava" porque estava demorando para aplicar as sanções e impedindo que armas do bloco chegassem aos ucranianos por seu território.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, inclusive foi um dos primeiros a parabenizar Orbán por sua vitória nas urnas, segundo informam as agências estatais Tass e Interfax. Ambas publicaram que o líder do Kremlin disse que "está confiante que haverá um novo impulso ao desenvolvimento das relações bilaterais que corresponda plenamente aos interesses dos habitantes da Rússia e da Hungria".

Por sua vez, nenhum representante a União Europeia manifestou sua opinião sobre os resultados. O porta-voz da Comissão Europeia, Stefan De Keersmaecker, afirmou que "os êxitos das eleições de um país-membro são uma questão nacional" e que o bloco "não vai ficar comentando falas" feitas pelo premiê.

Orbán é o chefe de Governo ou Estado que há mais tempo está à frente do país dentro da União Europeia. No poder desde 2010, é a quarta vez que é reeleito, mesmo que com um percentual menor do que nas três anteriores. O político, que presidente o Fidesz desde a década de 1990, também foi primeiro-ministro entre 1998-2002.

O líder de Budapeste é o mais próximo de Putin entre os europeus há anos e também é um dos mais "problemáticos" para o bloco nos últimos tempos, especialmente, por se negar a ter uma postura de acolhimento durante as crises migratórias e de fazer uma perseguição sistemática a minorias - políticas ou sociais.

No entanto, a guerra na Ucrânia vem também afetando essa aliança contra migrantes por conta dessa parceria com o presidente russo. Na última semana, o grupo Viségrad - que reúne Hungria, Eslováquia, Polônia e República Tcheca - deveria ter se reunido, mas Varsóvia e Praga se negaram a ir para o encontro por conta da proximidade dos húngaros aos russos.

Derrota em referendo

No entanto, o domingo não foi marcado apenas por vitórias para Orbán. Os eleitores, além de escolher seus partidos na disputa, tinham que votar em um referendo sobre uma polêmica lei aprovada pelo Parlamento no ano passado, em validação ordenada pelo primeiro-ministro.

Chamada de legislação contra a "promoção da homossexualidade", ela proíbe a publicação de qualquer referência às relações entre pessoas do mesmo sexo em livros, propagandas ou programas de entretenimento. O assunto também não poderá ser debatido em aulas de educação sexual no país.

A União Europeia havia, inclusive, ameaçado punir o governo do país por considerar que a lei "não protege crianças, mas sim é uma forma de discriminar". O texto chegou a ser chamado de "vergonhoso" pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Nas urnas, porém, o referendo da "lei anti-LGBTQIA+" foi anulado por não ter um quórum mínimo de votação. Só 44% dos eleitores se manifestaram (contra ou a favor), mas a legislação exige que 50% dos cidadãos se manifestem para que a medida entre em vigor.

O governo não anunciou se vai respeitar às urnas, nem se vai revogar a medida. (ANSA).
   

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