UE deve acusar líder ortodoxo russo por guerra na Ucrânia

Bruxelas prepara nova rodada de sanções contra o regime Putin

O patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Cirilo
O patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Cirilo (foto: ANSA)
14:29, 04 MaiESTRASBURGO ZLR

(ANSA) - O sexto pacote de sanções contra o regime de Vladimir Putin deve acusar o primaz da Igreja Ortodoxa Russa, Cirilo, de "apoiar ou praticar ações" contra a independência da Ucrânia.

Segundo um esboço visualizado pela ANSA, o patriarca de Moscou, "aliado de longa data" de Putin, se tornou "um dos mais importantes apoiadores da agressão militar russa contra a Ucrânia".

"O patriarca Cirilo é responsável por apoiar ou praticar ações ou políticas que minam ou ameaçam a integridade territorial, a soberania e a independência da Ucrânia", diz o texto, que deve ser oficializado até o fim desta semana.

"Além disso, [Cirilo] apoia o governo russo e os responsáveis pela anexação da Crimeia e pela desestabilização da Ucrânia", acrescenta a UE.

Ainda de acordo com o rascunho, Cirilo "continua a difundir a mensagem de que o território do Donbass e outras áreas ucranianas pertencem à Santa Rússia, portanto deveriam ser purificadas de seus inimigos, incluindo os apoiadores dos valores decadentes ocidentais".

Patriarca de Moscou desde 2009, Cirilo é o principal líder religioso do país com a maior população ortodoxa no mundo em termos absolutos. Desde o início da invasão à Ucrânia, o primaz sempre mostrou alinhamento com Putin e chegou a culpar o Ocidente e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) pela guerra.

A postura de Cirilo o afastou do papa Francisco, com quem se encontraria em junho deste ano, em Jerusalém, e provocou críticas do líder católico.

"Não somos clérigos de Estado, não podemos utilizar a linguagem da política, mas sim a de Jesus. Por isso, devemos buscar caminhos de paz, fazer cessar o fogo das armas. O patriarca não pode se transformar no coroinha de Putin", disse o pontífice em entrevista recente ao jornal italiano Corriere della Sera, ao relatar uma conversa por videoconferência com o patriarca.

Por sua vez, a Igreja Ortodoxa Russa acusou o Papa de "deturpar" o teor de sua conversa com Cirilo e de "errar no tom" ao transmitir o conteúdo do diálogo. "Tais declarações dificilmente contribuirão para a instauração de um diálogo construtivo entre as igrejas Católica Romana e Ortodoxa Russa", diz uma nota do Patriarcado de Moscou.

O novo pacote de sanções da UE ainda precisa ser aprovado pelos Estados-membros, portanto é passível de mudanças, mas a Igreja Ortodoxa Russa já afirmou que Cirilo não teme ser atingido.

"O patriarca Cirilo provém de uma família cujos membros foram submetidos por décadas a repressões por sua fé e posição moral durante a era do ateísmo militante comunista. É preciso desconhecer completamente a história de nossa igreja para intimidar seu clero e seus fiéis inserindo-os em alguma lista", disse um porta-voz do patriarcado. (ANSA)

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA